
Ismael Alves – A agência de notícias estatal ILNA confirmou neste domingo (01) a morte de Mahmoud Ahmadinejad, de 69 anos, vítima de um ataque aéreo na capital do Irã. O ex-presidente foi atingido em sua residência, localizada na zona leste de Teerã, em um episódio que também resultou na morte de seu guarda-costas. O falecimento de Ahmadinejad ocorre em um momento de colapso institucional no país, apenas um dia após o assassinato do líder supremo, Aiatolá Ali Khamenei, ambos, mortos durante ataque conjunto entre Israel e Estados Unidos da América.
Ahmadinejad presidiu o Irã entre 2005 e 2013, período em que transitou de protegido do clero xiita a uma figura marginalizada pela própria cúpula conservadora. Suas políticas nucleares agressivas geraram sanções internacionais severas e mergulharam a economia iraniana em uma crise profunda, desgastando sua base de aliados internos e isolando o país no cenário global.
A histórica articulação diplomática com o governo Lula
Um dos capítulos mais notáveis da gestão de Ahmadinejad envolveu sua proximidade com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2010, o governo Lula atuou como mediador internacional ao lado da Turquia, buscando uma solução para o impasse nuclear iraniano. O Brasil apoiou o direito do Irã ao enriquecimento de urânio para “fins pacíficos”, culminando na Declaração de Teerã, que previa a troca de combustível nuclear em solo turco para evitar novas sanções da ONU.
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Embora a iniciativa tenha sido vista por potências ocidentais com ceticismo, ela simbolizou o auge da cooperação entre os dois países. Lula defendia que o isolamento do Irã não era o caminho para a paz, enquanto Ahmadinejad via no Brasil um parceiro importante para furar o cerco diplomático imposto pelos Estados Unidos e pela Europa.
O legado de isolamento e o rompimento interno
Apesar das alianças pontuais, a imagem de Ahmadinejad ficou marcada pelo radicalismo, pelas ameaças militares contra Israel e pela negação do Holocausto. Internamente, ele fortaleceu a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), mas sua tentativa de ampliar os poderes da presidência contra a vontade dos clérigos selou seu destino político.
O conflito aberto pelo controle do Ministério da Inteligência em 2011 provocou o rompimento definitivo com Khamenei. Desde então, o Conselho dos Guardiães barrou as tentativas de Ahmadinejad de retornar ao poder, impedindo suas candidaturas em pleitos recentes. A morte do ex-presidente encerra um ciclo controverso que moldou a face do Irã moderno e as suas relações com o Ocidente.













