
Como Nicolás Maduro chegou ao poder, governou sob autoritarismo e perdeu o controle do país
Ismael Alves – Nicolás Maduro Moros nasceu em 23 de novembro de 1962 em Caracas e iniciou sua trajetória política como dirigente sindical nos anos 1990, alinhando-se ao movimento de Hugo Chávez. Depois de servir como chanceler e vice-presidente sob Chávez, Maduro assumiu o poder de forma interina em 8 de março de 2013, após a morte do líder bolivariano. Nas eleições presidenciais de 14 de abril de 2013, venceu Henrique Capriles com 50,62% dos votos, estreita vantagem que foi contestada pela oposição.
A vitória de 2013 marcou o início de um ciclo de quase 13 anos no comando da Venezuela, caracterizado por conflitos intensos entre o Executivo e os demais poderes, crises econômicas e erosão das instituições democráticas. A eleição de 2013 consolidou a transição do chavismo de Hugo Chávez para Maduro, mas também sinalizou crescentes tensões internas.
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No plano econômico, a Venezuela entrou em profunda recessão nos primeiros anos de governo Maduro. A dependência extrema do petróleo somou-se à queda dos preços internacionais, à má gestão estatal e a um severo descontrole fiscal. A hiperinflação chegou a níveis extremos, corroendo salários e arrancando da população o poder de compra. Para tentar enfrentar a crise, Maduro implementou reconversões monetárias que cortaram zeros das cédulas do bolívar: em 2018 o governo retirou cinco zeros da moeda, que passou a ser chamada de Bolívar Soberano; e em 2021 foram retirados mais seis zeros, dando lugar ao Bolívar Digital na tentativa de simplificar transações em meio à hiperinflação prolongada.
A deterioração econômica gerou escassez crônica de alimentos, medicamentos e bens básicos, ao mesmo tempo em que impulsionou uma das maiores migrações forçadas da América Latina, com milhões de venezuelanos deixando o país em busca de sobrevivência.
No campo político, a oposição conquistou a maioria no Parlamento em 2015, mas o governo respondeu neutralizando o Legislativo por meio do Supremo Tribunal de Justiça e criando uma Assembleia Constituinte paralela em 2017, esvaziando competências democráticas essenciais. Grandes protestos foram reprimidos com violência, e a repressão a opositores se intensificou ao longo dos anos.
Maduro foi reeleito em eleições questionadas em 2018 e novamente em 28 de julho de 2024, esta última amplamente denunciada por irregularidades e não reconhecida por diversos países e observadores internacionais. A cerimônia de posse para o terceiro mandato aconteceu em 10 de janeiro de 2025, em meio a protestos internos e rejeição externa de boa parte da comunidade democrática global.
A persistente crise política e econômica, somada às acusações de corrupção e vínculos com narcotráfico, elevou a pressão internacional sobre Maduro. Os Estados Unidos chegaram a impor recompensas milionárias por sua captura nos anos anteriores, denunciando práticas criminosas e associando o regime a redes de narcotráfico.
O desfecho desse ciclo autoritário ocorreu neste sábado (3), quando uma operação conduzida por forças especiais dos Estados Unidos resultou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. Segundo autoridades americanas, ele foi detido e transportado para os Estados Unidos para responder por acusações que incluem tráfico de drogas e narcoterrorismo. A ação militar desencadeou debates intensos sobre soberania, legalidade e futuro político da Venezuela, com parte da oposição saudando o episódio como uma oportunidade de transição democrática, enquanto aliados de Maduro denunciaram a intervenção como violação do direito internacional.
Hoje, a Venezuela enfrenta um momento de incerteza institucional e social. A captura de Maduro representa uma ruptura dramática com um ciclo de liderança que começou em 2013 e foi marcado por colapso econômico, autoritarismo e isolamento externo. O futuro político e econômico do país dependerá de como as forças internas e a comunidade internacional lidarem com a transição e os desafios acumulados ao longo de mais de uma década.

Como Nicolás Maduro chegou ao poder, governou sob autoritarismo e perdeu o controle do país
Ismael Alves – Nicolás Maduro Moros nasceu em 23 de novembro de 1962 em Caracas e iniciou sua trajetória política como dirigente sindical nos anos 1990, alinhando-se ao movimento de Hugo Chávez. Depois de servir como chanceler e vice-presidente sob Chávez, Maduro assumiu o poder de forma interina em 8 de março de 2013, após a morte do líder bolivariano. Nas eleições presidenciais de 14 de abril de 2013, venceu Henrique Capriles com 50,62% dos votos, estreita vantagem que foi contestada pela oposição.
A vitória de 2013 marcou o início de um ciclo de quase 13 anos no comando da Venezuela, caracterizado por conflitos intensos entre o Executivo e os demais poderes, crises econômicas e erosão das instituições democráticas. A eleição de 2013 consolidou a transição do chavismo de Hugo Chávez para Maduro, mas também sinalizou crescentes tensões internas.
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No plano econômico, a Venezuela entrou em profunda recessão nos primeiros anos de governo Maduro. A dependência extrema do petróleo somou-se à queda dos preços internacionais, à má gestão estatal e a um severo descontrole fiscal. A hiperinflação chegou a níveis extremos, corroendo salários e arrancando da população o poder de compra. Para tentar enfrentar a crise, Maduro implementou reconversões monetárias que cortaram zeros das cédulas do bolívar: em 2018 o governo retirou cinco zeros da moeda, que passou a ser chamada de Bolívar Soberano; e em 2021 foram retirados mais seis zeros, dando lugar ao Bolívar Digital na tentativa de simplificar transações em meio à hiperinflação prolongada.
A deterioração econômica gerou escassez crônica de alimentos, medicamentos e bens básicos, ao mesmo tempo em que impulsionou uma das maiores migrações forçadas da América Latina, com milhões de venezuelanos deixando o país em busca de sobrevivência.
No campo político, a oposição conquistou a maioria no Parlamento em 2015, mas o governo respondeu neutralizando o Legislativo por meio do Supremo Tribunal de Justiça e criando uma Assembleia Constituinte paralela em 2017, esvaziando competências democráticas essenciais. Grandes protestos foram reprimidos com violência, e a repressão a opositores se intensificou ao longo dos anos.
Maduro foi reeleito em eleições questionadas em 2018 e novamente em 28 de julho de 2024, esta última amplamente denunciada por irregularidades e não reconhecida por diversos países e observadores internacionais. A cerimônia de posse para o terceiro mandato aconteceu em 10 de janeiro de 2025, em meio a protestos internos e rejeição externa de boa parte da comunidade democrática global.
A persistente crise política e econômica, somada às acusações de corrupção e vínculos com narcotráfico, elevou a pressão internacional sobre Maduro. Os Estados Unidos chegaram a impor recompensas milionárias por sua captura nos anos anteriores, denunciando práticas criminosas e associando o regime a redes de narcotráfico.
O desfecho desse ciclo autoritário ocorreu neste sábado (3), quando uma operação conduzida por forças especiais dos Estados Unidos resultou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. Segundo autoridades americanas, ele foi detido e transportado para os Estados Unidos para responder por acusações que incluem tráfico de drogas e narcoterrorismo. A ação militar desencadeou debates intensos sobre soberania, legalidade e futuro político da Venezuela, com parte da oposição saudando o episódio como uma oportunidade de transição democrática, enquanto aliados de Maduro denunciaram a intervenção como violação do direito internacional.
Hoje, a Venezuela enfrenta um momento de incerteza institucional e social. A captura de Maduro representa uma ruptura dramática com um ciclo de liderança que começou em 2013 e foi marcado por colapso econômico, autoritarismo e isolamento externo. O futuro político e econômico do país dependerá de como as forças internas e a comunidade internacional lidarem com a transição e os desafios acumulados ao longo de mais de uma década.













