
Repressão do regime aos protestos no Irã provoca isolamento digital e ameaças de novos ataques militares
Ismael Alves – A República Islâmica do Irã enfrenta um dos cenários mais conturbados de sua história recente, com manifestações que já duram duas semanas e resultaram em um balanço trágico de vítimas. De acordo com o grupo de direitos humanos HRANA, o número de mortos chegou a 538 neste domingo (11).
Outra entidade, a Iran Human Rights, sediada na Noruega, confirmou ao menos 192 óbitos, ressaltando que o montante real pode ser muito mais elevado devido à interrupção da internet, que impediu a checagem de dados por vários dias e elevou a contagem que antes era de 51 mortos.
Mesmo sob a ameaça de uma repressão brutal e enfrentando um isolamento digital que já dura três dias, manifestantes voltaram às ruas de cidades como Teerã, Mashhad, Isfahan e Yazd na noite de sábado (10). Com slogans antigovernamentais e apoio à dinastia Pahlavi, deposta em 1979, os grupos utilizaram panelas e fogos de artifício para protestar.
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O uso da rede Starlink e de meios alternativos permitiu que vídeos desses atos circulassem nas redes sociais, mostrando a continuidade da mobilização, que começou motivada pelo alto custo de vida e se tornou um desafio sem precedentes para o regime dos aiatolás.
No cenário internacional, o presidente americano Donald Trump afirmou em sua rede Truth Social que o Irã anseia por liberdade e que os Estados Unidos estão prontos para ajudar. Segundo o The New York Times, o governo dos EUA avalia opções de ataque após os bombardeios a instalações nucleares iranianas em junho, embora uma decisão final não tenha sido tomada.
Em contrapartida, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, ameaçou transformar militares americanos e Israel em alvos legítimos caso ocorra uma intervenção, enquanto deputados da ala dura entoavam gritos de “morte aos EUA”.
O apoio aos manifestantes também veio da Europa, onde Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, defendeu o direito à liberdade e denunciou a violência do Estado. Em Londres, a bandeira da antiga monarquia chegou a ser hasteada na fachada da embaixada iraniana durante um protesto.
O Irã, que ainda carrega as marcas das revoltas de 2022 após a morte de Mahsa Amini, encontra-se atualmente debilitado por sanções da ONU restabelecidas em setembro, além das consequências da guerra com Israel ocorrida em junho, o que aprofunda a crise interna e o desgaste dos aliados regionais.













