
Ismael Alves – Enquanto os Estados Unidos, sob o comando de Donald Trump, intensificam ações contra o narcoterrorismo, atingindo diretamente o regime de Nicolás Maduro na Venezuela, o presidente Lula (PT) preferiu mirar suas críticas não ao ditador, mas aos norte-americanos. Em declaração na abertura do 16º Congresso do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília-DF, Lula afirmou que “nenhum líder estrangeiro deve opinar sobre a forma de governo da Venezuela”, repetindo o discurso de “defesa da soberania”, usado por toda ditadura para justificar o controle de um país.
A iniciativa de Lula, em criticar os EUA logo após o anúncio de Trump, soa mais como um afago político a Maduro do que como um gesto de independência diplomática. O mesmo Maduro que, após o Brasil acompanhar a comunidade internacional e questionar a lisura das últimas eleições venezuelanas, passou a atacar o governo brasileiro e sequer esconde o desprezo por Lula.
Vale lembrar que o regime venezuelano mantém um histórico de calotes bilionários com o Brasil, o que torna ainda mais contraditório o papel de Lula como defensor da “soberania” de um país governado por um ditador que ignora acordos, persegue opositores, silencia a imprensa e a população.
Ao insistir nesse discurso, Lula se coloca, na prática, como um obstáculo ao sonho de liberdade dos venezuelanos. A suposta “defesa da soberania” soa bonita nos palanques, mas, na realidade, tem servido apenas como corrente que prende a liberdade de uma nação há anos sufocada pelo autoritarismo.













