
Ismael Alves – A Polícia Militar do Rio Grande do Norte (PMRN) foi surpreendida nesta quarta-feira (12) com a suspensão do abastecimento das viaturas em postos credenciados pelo Estado. Ainda não há, até o momento, uma informação oficial que confirme o motivo da interrupção, mas os indícios apontam para um possível problema financeiro relacionado ao pagamento dos serviços prestados pelos estabelecimentos.
A situação já vinha se desenhando há cerca de duas semanas, quando a maioria dos postos credenciados para abastecer as viaturas passou a suspender o atendimento. Apenas algumas unidades continuaram fornecendo combustível aos veículos da corporação.
Nas primeiras horas desta quarta-feira, ainda houve registros de abastecimento. Com a interrupção generalizada do serviço ao longo do dia, porém, começaram a surgir relatos de viaturas que permanecem paradas por falta de combustível, o que pode comprometer o deslocamento das equipes policiais e o atendimento às ocorrências.
PMRN enfrenta atrasos em pagamentos
A suspensão do abastecimento ocorre em um momento de dificuldades financeiras enfrentadas pelo Governo do Rio Grande do Norte. A situação também tem reflexos em compromissos relacionados aos próprios policiais militares.
Parte do 13º salário referente a 2025 foi paga somente em janeiro deste ano, embora o pagamento, conforme o calendário legal, devesse ter ocorrido em dezembro de 2025.
Também há relatos de que os valores referentes aos vales-alimentação vinculados às diárias operacionais realizadas pelos policiais no mês de maio de 2026 ainda não foram pagos. Até o momento, não há previsão definida para a quitação desses valores.
O conjunto de atrasos revela o cenário de dificuldade financeira enfrentado pela administração estadual e ajuda a explicar a preocupação dentro da corporação diante da suspensão do abastecimento das viaturas.
Crise financeira também repercute na política
A dificuldade administrativa e financeira do Estado ocorre paralelamente a uma crise política que atingiu diretamente a base da governadora Fátima Bezerra (PT) ao longo.
Em 17 de março, Fátima anunciou que não deixaria o cargo para disputar uma vaga no Senado Federal e que permaneceria à frente do Governo do Rio Grande do Norte até o fim do mandato. A decisão ocorreu em meio aos efeitos do rompimento político com o vice-governador Walter Alves (MDB), que não assumiria o Executivo estadual em caso de renúncia da governadora.
A saída de Fátima abriria caminho para uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte para a escolha de um governador-tampão até o fim do atual mandato. O cenário era considerado de risco para o grupo governista diante da possibilidade de a oposição conquistar maioria entre os deputados estaduais.
Diante desse quadro, Fátima decidiu permanecer no cargo e concentrar esforços na condução do governo e no fortalecimento da candidatura de Cadu Xavier (PT) à sucessão no Executivo estadual.
A crise envolvendo o abastecimento das viaturas acrescenta agora um novo componente ao cenário de dificuldades enfrentado pela administração estadual, especialmente por atingir diretamente a estrutura responsável pelo policiamento ostensivo e pela segurança pública.
O blog solicitou posicionamento oficial do Governo do Rio Grande do Norte e aguarda resposta.
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