
Ismael Alves – A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (04), a terceira etapa da Operação Compliance Zero, resultando na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro em sua residência, em São Paulo. Esta é a primeira medida ostensiva determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), desde que assumiu a relatoria do inquérito. A investigação apura um esquema de irregularidades na gestão da instituição financeira, com indícios de crimes que envolvem desde corrupção até ameaças graves.
Além de Vorcaro, a Justiça expediu mandados de prisão contra Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, Luiz Phillipi Machados de Moraes Mourão e Marilson Roseno da Silva. A ofensiva da PF inclui ainda quinze mandados de busca e apreensão cumpridos nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Segundo a nota oficial da corporação, o bloqueio de bens e ativos vinculados ao grupo investigado pode chegar ao montante de R$ 22 bilhões, medida necessária para interromper a movimentação de valores supostamente ilícitos.
Investigação aponta ameaças a jornalista e envolvimento de servidores do Banco Central
Um dos pontos centrais que fundamentaram o pedido de prisão preventiva foram mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. No conteúdo analisado pela PF, o empresário planejava ataques físicos contra o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Em diálogos com Luiz Phillipi Mourão, Vorcaro teria orientado a simulação de um assalto para agredir violentamente o profissional de imprensa. Os investigadores apontam Mourão como o braço operacional responsável pelo monitoramento de alvos e levantamento de dados de interesse do grupo.
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A operação também alcançou a cúpula do Banco Central. O ex-diretor de Fiscalização, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o servidor Bellini Santana, que deixaram seus postos no Departamento de Supervisão Bancária em janeiro, são alvos da ação. De acordo com o relatório da Polícia Federal, Paulo Sérgio atuava como uma espécie de consultor privado para Vorcaro, orientando o banqueiro sobre como se comportar em reuniões institucionais e como manipular temas sensíveis perante os órgãos reguladores.
Defesa dos investigados nega irregularidades
As equipes jurídicas dos envolvidos se manifestaram logo após o início das diligências. A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário sempre colaborou de forma transparente com as autoridades e negou qualquer tentativa de obstruir a Justiça. Os advogados reiteraram confiança no devido processo legal e acreditam que a regularidade de sua conduta será comprovada. Já a defesa de Fabiano Zettel informou que seu cliente se apresentou voluntariamente à Polícia Federal e permanece à disposição para prestar esclarecimentos, apesar de ainda não ter tido acesso integral ao objeto das investigações.
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Esta é a segunda vez que Vorcaro é preso no âmbito desta investigação. Em novembro, ele passou onze dias detido por ordem da Justiça Federal de Brasília. O caso subiu ao STF e estava sob relatoria do ministro Dias Toffoli, que se retirou do processo após a PF identificar conversas entre ele e o banqueiro em relatórios oficiais. Com a redistribuição do inquérito para o ministro André Mendonça, a operação ganhou um novo ritmo, culminando nas prisões e apreensões realizadas nesta manhã.







