
Megaoperação no Rio e a inversão de valores na sociedade
Ismael Alves – A todo instante, os veículos de comunicação apresentam os mais diversos desdobramentos e análises da megaoperação no Rio de Janeiro, com um saldo de mais de 120 mortos, destes sendo quatro policiais. Os demais, de acordo com dados oficiais do Governo do Rio, morreram durante troca de tiros com a polícia. Sim, morreram enquanto trocavam tiros com a polícia. São pessoas diretamente ligadas a facções criminosas como o Comando Vermelho, alvo da operação.
Contudo, o que mais tem me causado estranheza [e asco] é a inversão de valores feita por alguns “pseudoespecialistas” em segurança pública que atuam nas bancadas de telejornais, nas frentes das câmeras, em seus estúdios climatizados e de assentos confortáveis e macios para acomodar suas bundas descansadas, distantes da realidade das ruas. Gente que sequer tem noção dos perigos de se fazer segurança pública, especialmente em um estado tomado pelo poder paralelo.
É lamentável cada vida que se perde, principalmente diante de um cenário como o que foi visto no Rio. Precisamos nos solidarizar com cada mãe, pai, irmão, esposa, filhos e amigos que, em muitos casos, fizeram tudo o que podiam para afastar seu parente dos caminhos do crime. Mas não podemos perder a sensatez e a consciência de que toda escolha tem sua consequência. Quem morreu ao trocar tiros com a polícia, que representa o poder institucional do Estado e estava em missão de combate ao crime, foi refém da própria escolha. Isso precisa ser dito com muita clareza.
Já os policiais mortos foram fiéis ao juramento de proteger a sociedade com a própria vida. São quatro heróis que tiveram de enfrentar uma trajetória repleta dos mais diversos desafios para, um dia, passar em um concurso público e conquistar seus cargos. Homens que saíram de suas casas sabendo que, naquele dia, poderiam nunca mais voltar ao seio familiar, mas que, ainda assim, foram cumprir o dever de enfrentar a criminalidade e proteger a sociedade com a própria vida. Desconhecer isso, além de hipocrisia, diz bem qual é o seu lado na megaoperação do Rio de Janeiro.













