
Ismael Alves – Liderando as pesquisas de intenção de voto para o Senado por Pernambuco nas eleições de 2026, a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) enfrenta o primeiro grande abalo em seu projeto político rumo à Casa Alta. A crise, com potencial de causar danos significativos à sua articulação, foi deflagrada pela retirada do apoio do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Álvaro Porto (MDB), e de seu filho, o médico e candidato a deputado federal Gabriel Porto (PSB).
O rompimento foi oficializado nesta sexta-feira (7), por meio de uma dura nota pública, na qual ambos atribuem a decisão à quebra de um acordo político por parte da pré-candidata ao Senado. Como ressaltado no comunicado, a aliança entre Marília e o grupo político liderado por Álvaro Porto foi firmada ainda antes da oficialização de seu nome na chapa majoritária, o que colocava os dois como aliados de primeira hora do projeto.
Apesar de a nota não detalhar o ponto central do impasse, o estopim do rompimento teria sido o descumprimento de um compromisso previamente firmado: a indicação do ex-prefeito de Quipapá, Alvinho Porto, filho de Álvaro, para a primeira suplência na chapa ao Senado. No entanto, na quinta-feira (6), Marília anunciou para a vaga o ex-vereador do Cabo de Santo Agostinho, Abel Neto (PSB), sobrinho do prefeito Lula Cabral.
A decisão surpreendeu o grupo político dos Portos, que reagiu rapidamente, formalizando a retirada do apoio e elevando o tom das críticas, especialmente no que diz respeito à condução política e à confiança nos acordos estabelecidos. Nos bastidores, o episódio também reaviva lembranças de outras alianças lideradas por Marília Arraes que terminaram em desgaste e rompimentos.
Confira a nota na íntegra:
“Fomos os primeiros a declarar apoio à candidatura de Marília Arraes ao Senado, quando ela sequer era oficialmente candidata da chapa majoritária. Fizemos isso com confiança, lealdade e acreditando na palavra e nos compromissos políticos assumidos.
Infelizmente, Marília, mais uma vez, demonstrou dificuldade em cumprir aquilo que foi acordado e em honrar a palavra empenhada.
Política se faz com diálogo, compromisso e, acima de tudo, palavra. Quando a palavra deixa de ter valor, a confiança também deixa de existir.
Por esse motivo, retiramos, a partir de hoje, nosso apoio à candidatura de Marília Arraes ao Senado.
Não se trata de uma decisão tomada por conveniência ou circunstância. Trata-se de coerência. Pernambuco não pode ter uma senadora que não cumpre a palavra.
Quem deseja representar milhões de pernambucanos no Senado da República precisa demonstrar, antes de qualquer coisa, que é capaz de honrar os compromissos que assume.
Seguiremos nosso caminho mantendo a mesma postura de sempre: lealdade com quem é leal, compromisso com quem tem compromisso e respeito, acima de tudo, com Pernambuco.”










