
Ismael Alves – Ao avaliar a saúde pública em Pernambuco, o pré-candidato ao Governo do Estado pelo Psol-PE, Ivan Moraes, afirmou que a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) não apresentou avanços, mas também não registrou retrocessos, ao mesmo tempo em que criticou a continuidade do modelo adotado há décadas.
Pré-candidato afirma que modelo se repete há décadas em Pernambuco e defende fortalecimento da atenção básica
Durante entrevista ao Panorama Político, apresentado pelo editor deste blog na Rádio Líder FM, Ivan expôs sua avaliação de forma direta.
“Eu acho, Ismael, que não melhorou e não piorou. A saúde que a governadora tem empreendido, ela traz um modelo muito semelhante ao modelo que foi deixado pelo governo de Paulo Câmara.”
A partir dessa comparação, ele apontou que o padrão de gestão se mantém, especialmente na execução dos serviços.
“Note que boa parte dos serviços de saúde do governo de Pernambuco estão sendo executados por organizações sociais, as chamadas OS, que têm projetos e contratos muitas vezes opacos, com pouca transparência.”
Ivan ampliou a crítica ao incluir governos anteriores, indicando que, para ele, há uma repetição de práticas.
“Você percebe que tanto no governo Raquel quanto no governo Paulo Câmara e antes no governo Eduardo, os enfermeiros e enfermeiras lutavam pelo seu piso a duras penas.”
Mesmo reconhecendo ações pontuais da atual gestão, ele relativizou os efeitos práticos.
“A gente tem visto aqui e ali uma diferença e a Raquel agora está buscando resolver o problema de estrutura do Hospital da Restauração, mas isso tudo são coisas cosméticas.”
Na avaliação do pré-candidato, o principal problema segue sendo a baixa cobertura da atenção básica no estado.
“Pernambuco ainda é um dos piores estados do país na abrangência da atenção básica de saúde. Um dos piores do país. Não melhorou com a governadora Raquel Lyra.”
Ele também rebateu o argumento de que a responsabilidade seria apenas dos municípios.
“Ah, Ivan, mas a atenção básica é tarefa dos municípios. Ora gente, o governo não pode ficar 20 anos olhando os municípios tendo dificuldade de empreender as ações da atenção básica e não fazer nada.”
Para Ivan, o Estado precisa assumir um papel mais ativo na indução de políticas públicas.
“Então na pior das hipóteses, o governo tem uma tarefa indutora para que as pessoas tenham equipamento de saúde da família, tenham prevenção.”
Ao apresentar sua proposta, ele defendeu uma mudança de lógica na forma de medir resultados na saúde.
“Eu acho que a gente precisa sair da lógica de governos que comemoram o atendimento em hospital.”
Na sequência, detalhou o que pretende implementar caso seja eleito.
“Eu vou fazer um governo em que eu vou comemorar que as pessoas deixaram de ir para o hospital porque não precisa mais estar indo em hospital.”
A prioridade, segundo ele, será a atenção básica e o atendimento próximo da população.
“Mas o problema cotidiano de saúde, ele vai ser resolvido na atenção básica, com prevenção, com atendimento médico na porta, com equipes de saúde da família.”
Ao final, reforçou que sua proposta rompe com o que considera um padrão histórico da política estadual.
“O que a gente precisa é de uma mudança radical de abordagem na saúde.”










