
Ismael Alves – Na manhã desta terça-feira (03), a Câmara Municipal do Recife barrou o pedido de impeachment contra o prefeito João Campos por 25 votos a 9. A sessão foi marcada por uma estratégia da bancada governista que ocupou as galerias com apoiadores, resultando em vaias e protestos que interromperam diversas vezes a fala do autor da denúncia, Eduardo Moura. No momento da votação, Moura se licenciou e foi substituído pelo suplente George Bastos.
Detalhes da denúncia e defesa legal
O processo baseava-se na nomeação do advogado Lucas Vieira Silva para o cargo de procurador municipal em uma vaga de pessoa com deficiência (PCD). Embora aprovado no concurso de 2022 sem essa condição, Lucas apresentou um diagnóstico de autismo em 2025 para assumir a cota. O líder do governo, Samuel Salazar, defendeu a base legal da nomeação citando pareceres da Procuradoria-Geral do Município e do Tribunal Regional do Trabalho, além de classificar o pedido como uma manobra eleitoreira.
Envolvimento familiar e desfecho administrativo
A polêmica ganhou força pela ligação do nomeado com órgãos de fiscalização: ele é filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas e de um juiz responsável por varas de crimes contra a administração pública. O magistrado, inclusive, havia arquivado denúncias contra a prefeitura recentemente. Após a repercussão negativa do caso, João Campos anulou a nomeação de Lucas, mas a oposição sustenta que o crime administrativo foi consumado, enquanto o governo mantém que o ato foi corrigido e dentro da lei.
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