
Queda nos homicídios gerais não impede alta do feminicídio em Pernambuco
Ismael Alves – O Governo de Pernambuco decidiu transformar a segurança pública em uma das principais vitrines para o ano eleitoral. Sob a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD), a comunicação oficial passou a repetir que o estado teria registrado, em 2025, o menor número de Mortes Violentas Intencionais dos últimos 22 anos. A aposta não é aleatória. Pesquisas internas apontam que a segurança segue preocupando a população e, diante disso, o Palácio do Campo das Princesas tratou de sustentar uma narrativa positiva.
Os números, isoladamente, ajudam o discurso. Em relação a 2024, o governo afirma ter alcançado uma redução de 9,5% nas mortes violentas. O dado tem sido amplamente divulgado, mesmo em meio a questionamentos sobre a consistência das estatísticas, além de críticas e denúncias sobre possível fragilidade dos indicadores da segurança pública.
O problema surge quando se observa o conjunto da violência no estado. Pernambuco continua figurando entre os estados mais violentos do país e, em 2025, um dos crimes mais graves da estatística criminal avançou de forma alarmante. O feminicídio cresceu cerca de 15% em relação ao ano anterior e atingiu 88 mulheres assassinadas, o pior número registrado nos últimos oito anos.
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O dado desmonta a narrativa de um ano “mais seguro”. Na medida em que o governo concentrou esforços em divulgar a queda dos homicídios em números gerais, a violência contra mulheres seguiu em alta, demonstrando que a redução de um indicador não significa, necessariamente, melhora na proteção da população como um todo.
Em ano eleitoral, a escolha de quais números ganham destaque e quais ficam em segundo plano não é mero acaso. A redução das mortes violentas em números gerais foi transformada em discurso político. Já o crescimento do feminicídio foi ignorado pela propaganda oficial.
O balanço de 2025 mostra que não há espaço para comemoração. Pernambuco pode até ter reduzido parte de seus indicadores, mas tem se mostrado incapaz de enfrentar um problema grave que insiste em crescer. Segurança pública não se mede apenas pelo dado que cabe no slogan. Mede-se pelo que continua falhando. E, no caso de garantir proteção à vida das mulheres, o Estado fracassou de forma grave.










