
Ismael Alves – O ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), nutre o sonho de conquistar uma cadeira no Senado nas eleições de 2026. Que um político precise ter um plano, é verdade. Mesmo quando ele se aproxima mais de uma utopia, como é o caso atual de Anderson Ferreira.
Sem mandato desde 2022, quando deixou a prefeitura de Jaboatão para disputar sem sucesso o Governo de Pernambuco, Anderson tem pela frente a missão mais difícil de sua trajetória: voltar ao pódio das vitórias. E, se a escolha for o Senado, a escalada se torna ainda mais árdua.
A explicação não é complicada. Em 2022, durante a corrida estadual, Anderson vestiu inflexivelmente a camisa de Jair Bolsonaro (PL) e chegou a afirmar, em campanha, que não precisava do voto de quem defendia ideias da esquerda. A fala radical contrastou com sua postura em 2020, quando apoiou publicamente a então petista Marília Arraes no segundo turno da disputa pela prefeitura do Recife, contra João Campos (PSB). A contradição segue pesando. Vale lembrar que a própria família Ferreira havia rompido com o PSB em 2018, depois de ver negada a vaga ao Senado na chapa socialista daquele ano.
Hoje, Anderson já não é visto como uma liderança sólida da direita. Bolsonaro deixou claro que sua preferência é por Gilson Machado, ex-ministro do Turismo e pretenso candidato ao Senado, que obteve mais de 1,3 milhão de votos para o cargo em 2022. Do outro lado, Anderson também não tem espaço na esquerda.
No ostracismo desde a derrota de 2022, só voltou a ganhar holofotes por ter sido rejeitado publicamente por Bolsonaro, quando declarou preferência por Gilson, e pelo desgaste interno no PL, após destituir repentinamente Gilson Machado da presidência municipal da legenda no Recife. A grande questão é: de onde virão os votos que poderiam conduzir Anderson Ferreira ao Senado?












