
Ismael Alves – Já madrugada de 1º de agosto de 2026, um sábado, quando Miguel Coelho foi às redes sociais anunciar a retirada do próprio nome da disputa pela segunda vaga ao Senado no palanque da governadora Raquel Lyra (PSD).
Não porque quisesse. A única vaga ainda disponível havia se transformado no centro de uma disputa concentrada entre ele, presidente do União Brasil em Pernambuco, e Eduardo da Fonte, deputado federal, presidente do PP e da federação União Progressista.
O golpe foi duro. E o “galeguinho de ferro”, como se intitula nas redes sociais, sentiu a dor de um punhal atravessando as vísceras do sonho de concorrer à Casa Alta nas eleições de 2026.
Isso porque Miguel contava com a palavra da governadora Raquel Lyra (PSD) de que seria candidato ao Senado. O compromisso havia sido firmado na esteira do afastamento de Eduardo da Fonte do Campo das Princesas, por volta de abril, quando o líder da federação abriu conversas com João Campos (PSB), principal adversário da governadora.
Naquele momento, a ruptura chegou a produzir consequências concretas. Uma canetada da governadora varreu do governo, ainda que momentaneamente, indicados de Eduardo da Fonte. O cenário parecia pavimentar o caminho para Miguel.
Mas, se o mundo gira, na política ele capota. E, nessas capotadas, quem acabou levando a pior foi Miguel Coelho.
No afunilamento dos prazos, o ex-prefeito de Petrolina foi informado pela própria governadora de que a vaga seria de Eduardo da Fonte, que, a essa altura do campeonato, já havia se entendido novamente com Raquel Lyra e voltado a indicar aliados para cargos no governo.
A Miguel, que chegou a dizer que não haveria plano B e até cogitou uma candidatura avulsa ao Senado, restou a chamada consolação política: uma candidatura a deputado federal.
Os sintomas da frustração vieram à tona nesta segunda-feira (10), durante entrevista ao programa Edenevaldo Alves, da Rádio Petrolina FM. Ao comentar a decisão, Miguel afirmou que não guarda mágoas nem rancor da governadora, mas deixou escapar que o episódio produziu fissuras na relação.
“Eu não guardo mágoas, não tenho rancor nenhum com ela. Eu acho que isso faz parte da política. Poderia ter deixado menos fissuras”, afirmou.
Miguel segue apoiando a reeleição de Raquel Lyra. A relação política, portanto, permanece de pé. Mas há sinais de que a proximidade já não é a mesma.
Até quando acreditava ser um dos nomes ao Senado no palanque da governadora, Miguel fazia questão de colar sua imagem à de Raquel Lyra nas redes sociais. Agora, embora continue ao lado da gestora na disputa pela reeleição, essa associação aparece de forma muito mais discreta.
A ferida, ao que tudo indica, ainda não cicatrizou completamente. E, na política, algumas frustrações não precisam virar rompimento para deixar marcas. Fernando Dueire, ainda senador, que o diga.










