
Ismael Alves – O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, afirmou em conversas privadas com sua namorada que iria se encontrar com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e que teria mostrado o magistrado durante uma chamada de vídeo.
Os diálogos foram revelados inicialmente pelo portal Metrópoles e confirmados pelo jornal O Estado de S. Paulo, que também teve acesso ao material armazenado na nuvem do telefone do banqueiro. Procurado, Moraes não comentou o conteúdo.
Conversas registram suposto encontro com ministro
Em mensagens trocadas em 19 de abril de 2025, Vorcaro avisou à namorada, Martha Graeff, que estava a caminho de um encontro com o magistrado.
“To indo encontrar Alexandre Moraes aqui perto de casa”, escreveu.
Ela respondeu questionando:
“Como assim? Ele tá em Campos??? Ou foi pra te ver?”.
O banqueiro respondeu:
“Ele tá passando feriado”.
Dias depois, em 29 de abril de 2025, Vorcaro realizou uma chamada de vídeo com Martha. Após o encerramento da ligação, ela perguntou quem aparecia na imagem.
“Quem era o primeiro cara?”, questionou.
Vorcaro respondeu:
“Alexandre Moraes”.
Os registros da conversa não indicam participação direta do ministro na chamada. O conteúdo apenas mostra que o banqueiro afirmou ter exibido Moraes durante a ligação.
Relato de evento com ministros
Em outro diálogo, datado de 24 de abril de 2024, Vorcaro disse à namorada que havia feito um discurso em um evento com a presença de magistrados do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nas mensagens, ele não detalha qual evento teria ocorrido nem quais ministros estavam presentes.
Prisão em investigação da Polícia Federal
Vorcaro foi preso na quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, investigação conduzida pela Polícia Federal que apura suspeitas de irregularidades na gestão do Banco Master.
A ordem de prisão foi expedida pelo ministro do STF André Mendonça.
Segundo a Polícia Federal, o banqueiro integraria uma organização criminosa chamada “A Turma”, descrita pelos investigadores como um grupo estruturado que utilizaria intimidação e violência para atingir seus objetivos.
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“A atuação da organização criminosa não é pueril. Pelo contrário, são profissionais do crime, que atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da República, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário”, afirmou a Polícia Federal em manifestação encaminhada ao ministro André Mendonça.
Ainda de acordo com a corporação, servidores da Polícia Federal, do Supremo Tribunal Federal, do Ministério Público Federal e do Banco Central do Brasil estariam sob “risco concreto”.
Defesa diz que banqueiro colaborou
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou, em nota, que o empresário colaborou com as investigações desde o início e negou qualquer tentativa de interferência.
Segundo os advogados, Vorcaro agiu “de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.













