
Ismael Alves – O presidente da Câmara Municipal do Recife, Romerinho Jatobá, barrou a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigaria supostas irregularidades no concurso da Procuradoria Geral do Município. O requerimento, de autoria do vereador Thiago Medina, do PL, havia reunido 13 assinaturas, incluindo a do vereador Osmar Ricardo, do PT. A decisão pelo arquivamento fundamenta-se na ausência de fato determinado, uma exigência do artigo 133 do regimento interno da Casa para a instalação de qualquer CPI.
Conforme as informações publicadas pelo Blog Cenário, o despacho da presidência sustenta que a situação que motivou a denúncia foi resolvida administrativamente pela gestão do prefeito João Campos. O caso, que ganhou repercussão como o fura fila do concurso, envolvia a nomeação de Lucas Vieira Silva, filho de um magistrado. O candidato, originalmente classificado em 63º lugar na ampla concorrência, apresentou um laudo de Transtorno do Espectro Autista cerca de dois anos após a homologação do certame e foi reclassificado para a primeira colocação da cota de Pessoas com Deficiência.
Entenda os motivos do arquivamento e os próximos passos da oposição
A nomeação chegou a ser publicada em edição extra do Diário Oficial em dezembro de 2025, mas o governo de João Campos recuou após uma decisão liminar da Justiça assegurar a vaga ao candidato aprovado originalmente naquela posição. No despacho que arquivou a CPI, Romerinho Jatobá argumentou que a revogação do ato poucos dias depois afastou qualquer impacto negativo à administração pública. O presidente da Câmara afirmou ainda que a cronologia dos fatos não indica a existência de nepotismo ou tráfico de influência por parte do prefeito João Campos ou do procurador-geral, Pedro Pontes.
Com o arquivamento na esfera legislativa, o vereador Thiago Medina declarou que pretende judicializar a questão. Como a oposição é minoria na Câmara do Recife, um recurso ao plenário dificilmente reverteria a decisão da presidência. A estratégia do parlamentar agora é buscar no Judiciário a abertura de uma investigação que esclareça as circunstâncias da reclassificação extemporânea do candidato e a conduta dos órgãos municipais envolvidos no episódio ocorrido na gestão João Campos.










