
Ismael Alves – As mudanças fazem parte de um ambiente politicamente democrático, e cada eleição exige a busca por acomodações que possam viabilizar o caminho da vitória para quem pleiteia uma disputa eleitoral. Faz parte do jogo. O que torna as movimentações indigestas, ou não, é a forma como cada quadro político se comporta frente a adversários que, um dia, poderão se tornar aliados.
Isso fica claro quando observamos o comportamento de Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina. Miguel disputou o Governo de Pernambuco em 2022 e pontuou duras críticas à gestão de Paulo Câmara à época, mas nem por isso atacou a honra de Danilo Cabral, que naquelas eleições disputou o cargo como sucessor de Câmara. Ainda no campo do debate, durante o primeiro turno de 2022, Miguel se contrapôs aos demais concorrentes, a exemplo de Anderson Ferreira, Marília Arraes e a própria Raquel Lyra, eleita no segundo turno.
Um aliado de primeira hora
Vale lembrar que, na mesma noite do resultado do primeiro turno, Miguel reuniu seu grupo e anunciou apoio a Raquel Lyra, além de manifestar solidariedade pela morte repentina do marido da governadora naquele fatídico dia. Miguel caminhou com Raquel no segundo turno, literalmente, especialmente no Sertão pernambucano. No entanto, quando Raquel iniciou o governo, manteve aliados na “geladeira” durante os primeiros dois anos, inclusive Miguel, que não demorou a manifestar frustração e críticas na forma de condução do Governo de Pernambuco.
Em 2025, já pensando na reeleição, a governadora voltou a procurar o ex-prefeito, que já estava acomodado na Prefeitura do Recife como aliado de João Campos. Naquele momento, Miguel foi claro: afirmou que só discutiria as eleições de 2026 no ano correspondente, reafirmando o apoio ao prefeito da capital, onde seu irmão, Antônio Coelho, ocupava a Secretaria de Turismo e Lazer. Miguel foi transparente com Raquel e também com João, com quem, desde o início, deixou clara a pretensão de concorrer ao Senado.
Encontros e desencontros
Já no ano da campanha, com o afunilamento dos prazos, a movimentação pelas acomodações ocorre de forma frenética. Dados os interesses e necessidades de João Campos em aglutinar lideranças lulistas, não sobrou espaço para Miguel concorrer ao Senado pela Frente Popular. Com isso, Raquel Lyra abriu as portas para o líder sertanejo. Mesmo com a declaração de apoio do União Brasil à reeleição da governadora, partido que Miguel preside em Pernambuco, Raquel ainda não confirmou publicamente que o ex-prefeito tem vaga garantida na chapa majoritária.
O que sobrou para Miguel foi aguardar a decisão da governadora, que costuma definir composições de última hora. Contudo, ao contrário de lideranças como Eduardo da Fonte, que foi repelido por Raquel Lyra, Miguel não saiu do grupo de João Campos de forma traumática. Ele encerrou a aliança com a Prefeitura do Recife em bom entendimento com o socialista, que fez questão de ressaltar publicamente o respeito pelo ex-prefeito e compreender que a política é feita de encontros e desencontros.
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Essa cordialidade no encerramento do ciclo, habilidade em comum entre os dois quadros, deixa uma porta aberta para que novos diálogos se iniciem quando conveniente, além de ensinar, na prática, a importância de nunca se fazer política como se não houvesse amanhã.













