
Ismael Alves – A chapa esquentou definitivamente entre Anderson Ferreira, presidente do PL em Pernambuco, e o ex-ministro do Turismo, Gilson Machado. Após Machado deixar a legenda para se filiar ao Podemos e mirar uma vaga na Câmara Federal, Anderson quebrou o silêncio durante um ato político em Petrolina, classificando o antigo correligionário como um desertor que teria traído não apenas a direita estadual, mas o próprio senador Flávio Bolsonaro.
Em entrevista ao Eleição Brasil Sertão, o dirigente liberal disparou críticas severas à nova casa política de Gilson. Segundo Ferreira, o ex-ministro não possui mais propriedade para falar em nome da direita, visto que o Podemos integra a base de apoio do governo Lula. O presidente do PL estadual afirmou que os movimentos de Gilson servirão apenas para fortalecer chapas ligadas à esquerda, priorizando um projeto pessoal em detrimento do crescimento do partido.
O racha e a influência de Valdemar Costa Neto
O rompimento público, que já não é novidade, é o capítulo final de uma crise que se arrasta há anos. Embora Anderson Ferreira mantenha o controle da sigla em Pernambuco, sua liderança é sustentada pela relação estreita com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e não pelo apoio de Jair Bolsonaro. A insatisfação do ex-presidente com a condução de Anderson já foi demonstrada publicamente em diversas ocasiões, deixando evidente que a condução do PL e a vontade da família Bolsonaro caminham em direções opostas em Pernambuco.
A disputa pelo Senado em 2026 foi o estopim. Gilson Machado nunca escondeu o desejo de concorrer à Câmara Alta e conta com o aval explícito de Bolsonaro, que o declarou como seu nome de preferência para disputar uma vaga por Pernambuco. No entanto, Anderson Ferreira ocupou o espaço como pré-candidato ao mesmo cargo, inviabilizando a postulação de Gilson dentro da legenda e forçando sua saída para o Podemos.
O histórico de desgastes e a destituição no Recife
A relação entre os dois caciques políticos azedou de vez no ano passado, quando Anderson Ferreira destituiu Gilson Machado da presidência do PL no Recife. O movimento foi visto como uma manobra política agressiva, especialmente porque ocorreu em um momento delicado para o ex-ministro, que enfrentava restrições impostas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Gilson alega que a mudança de partido teve a anuência de Flávio Bolsonaro e que sua meta agora é se tornar o deputado federal mais votado do estado. Enquanto isso, Anderson Ferreira aproveitou o ato de filiação do jornalista Carlos Brito e o lançamento da pré-candidatura de Lara Cavalcanti para reforçar que o PL deve focar na união do seu time interno, evitando o que ele chama de “auxílio à esquerda”.










