Ismael Alves – As cenas de desespero vistas no Recife e cidades da Região Metropolitana durante as últimas chuvas não são novidade. Trata-se, na verdade, de um triste filme que se repete ano após ano, vitimando aqueles que vivem nas áreas de risco e deixando um rastro de dor e indignação.
Diante de mais uma tragédia anunciada, a pergunta não é quem é o responsável, mas sim quantos são. De vereadores a presidentes, todos os agentes públicos que passaram pelo poder e nada fizeram [OS QUE NADA FIZERA, REPITO] para estruturar essas regiões compartilham a culpa. E a justiça, com sua omissão, também carrega parte dessa responsabilidade. Como negar que se trata de uma escancarada injustiça social?
Embora algumas políticas públicas tenham evitado um número ainda maior de mortes, a verdade é que elas são insuficientes e precisam ser ampliadas ao mesmo ritmo em que se conclui e executa uma programação milionária de carnaval e outras festas, por exemplo. Se os soterrados, eletrocutados em áreas alagadas ou arrastado pelas águas em plena via pública fossem parlamentares, governadores, ministros ou magistrados, alguém acredita que a situação permaneceria a mesma para o ano seguinte, deixando outras “pessoas importantes” condenadas ao mesmo destino? A resposta é óbvia.
O resultado desse descaso é o luto irreparável de pelo menos seis famílias, que perderam entes queridos para uma tragédia que poderia ter sido evitada. Mais uma vez, os mais pobres pagam com a própria vida pela omissão do Poder Público que mata – de novo.














