Ismael Alves – Acompanhei de perto o processo eleitoral de escolha da Mesa Diretora da Câmara de Chã Grande, Mata Sul, para o biênio 2023/2024. Os esforços empreendidos pelas duas chapas que disputaram a eleição interna, seja a de Demir Batista (Avante), presidente eleito, ou a de Jorge Luis (PL), agora ex-presidente, que buscava se manter no cargo que ocupou por seis anos consecutivos, são extremamente naturais e aceitáveis desde que dentro dos parâmetros da ética, legalidade, honestidade e transparência.
Contudo, a eleição da Mesa Diretora escancarou, por uma das partes, uma disputa semelhante ao desenho animado “Corrida Maluca”, que até hoje é conhecido pelo seu personagem trapaceiro, Dick Vigarista, que usava de toda malícia para atrapalhar seus concorrentes.
Pior do que a tentativa frustrada de burlar o Regimento Interno da Casa e induzir os menos informados à falsa ideia de que a chapa de Ademir teria sido impugnada, em 12 de dezembro de 2022, por não ter apresentado candidato ao cargo de vice-presidente, é achar que tudo isso é normal.
O que se viu foi uma manobra inaceitável, absurda e certamente inédita na história de Chã Grande. A Mesa Diretora da Câmara sempre foi composta por um presidente, um primeiro e um segundo secretário. E não seria necessário uma Juíza e um Desembargador terem que “desenhar” isso em duas decisões judiciais, considerando que Jorge Luis já havia sido eleito presidente por três vezes sob o mesmo Regimento Interno e Lei Orgânica do Município.
E como se não bastasse a ideia de querer inventar cargo numa verdadeira tentativa de usurpação de função pública, a população teve o desprazer de assistir um grupo de vereadores tentando desabonar a conduta moral dos demais pares pelo simples fato de defender a alternância da presidência e não aceitar um processo eleitoral marcado por condutas ilegais.
No fim das contas prevaleceu a passagem bíblica que diz: os humilhados serão exaltados”. Por outro lado o resultado das eleições de quinta-feira, 02, demonstrou que a união realmente faz a força. Nem a interferência impositiva do prefeito Diogo Alexandre (Avante) foi capaz de impedir a exaltação daqueles que tanto foram humilhados. Além disso, ficou evidente um detalhe: o começo do fim de um reinado.














