Ismael Alves – As eleições 2026 trouxeram mudanças importantes para a direita pernambucana na Câmara Federal. O resultado das urnas não representou um crescimento numérico do grupo mais diretamente ligado ao bolsonarismo, mas produziu uma renovação nos nomes que estarão em Brasília a partir de 2027. Há estreia, retorno, reeleição, mudança de cargo e também derrotas de parlamentares que já ocupavam espaço na bancada.
Em 2022, o núcleo mais diretamente identificado com o bolsonarismo elegeu seis deputados federais em Pernambuco: André Ferreira, Pastor Eurico, Coronel Meira, Fernando Rodolfo, Clarissa Tércio e Mendonça Filho. Embora tenha sido eleito naquele ano pelo União Brasil, Mendonça integrava o campo bolsonarista e se tornou uma das principais referências da direita no estado. Em 2026, a composição será diferente. Anderson Ferreira retorna à Câmara, Thiago Medina e Gilson Machado Neto chegam pela primeira vez e Clarissa Tércio permanece. Com isso, o núcleo passa de seis para quatro cadeiras.
Thiago Medina, Gilson Machado e Eduardo Moura chegam, enquanto Anderson Ferreira retorna
Entre as novidades está Thiago Medina (PL), atual vereador do Recife, que foi eleito deputado federal com 88.354 votos. A eleição marca sua estreia na Câmara dos Deputados. Durante a campanha, Medina recebeu apoio de nomes ligados à direita, entre eles Nikolas Ferreira.
Outro nome novo na Câmara será Gilson Machado Neto (Podemos). Ex-ministro do Turismo no governo Jair Bolsonaro, ele foi eleito com 156.754 votos e, pela primeira vez, ocupará uma cadeira de deputado federal. A eleição também recoloca o sobrenome Machado no Legislativo nacional. Gilson é sobrinho de Gilson Machado Filho (in memoriam), que foi deputado federal por Pernambuco e participou da Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988. O tio exerceu ainda novo mandato na Câmara nos anos seguintes.
A nova representação da direita pernambucana também terá Eduardo Moura, vereador do Recife pelo Partido Novo, que foi eleito deputado federal com 113.482 votos. Identificado com o campo conservador, Moura chega à Câmara como uma das novidades da direita pernambucana, embora pertença a um partido e a uma corrente política diferentes do núcleo mais diretamente identificado com o bolsonarismo.
Já Anderson Ferreira (PL) está de volta. Ele retorna ao Congresso depois de ter exercido dois mandatos de deputado federal. Foi eleito pela primeira vez em 2010 e reeleito em 2014. Anderson renunciou ao mandato em 1º de janeiro de 2017 para assumir a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes. Agora, volta à Câmara após ser eleito em 2026 com 185.429 votos, a terceira maior votação de Pernambuco para deputado federal.
A volta de Anderson acontece justamente no momento em que seu irmão, André Ferreira, deixa a Câmara Federal. O parlamentar não saiu por derrota na disputa pela cadeira federal. Ele decidiu concorrer a deputado estadual e foi eleito para a Assembleia Legislativa de Pernambuco com 118.868 votos. Em 2022, André havia sido o deputado federal mais votado do estado, com 273.267 votos.
No grupo, Clarissa Tércio (PP) permanece. A deputada, que em 2022 havia sido eleita com 240.511 votos, foi reeleita em 2026 com 110.608 votos. Identificada como representante das pautas conservadoras, ela será a única remanescente, entre os seis nomes do núcleo bolsonarista eleitos em 2022, a permanecer na Câmara na próxima legislatura.
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Pastor Eurico, Fernando Rodolfo, Coronel Meira, André Ferreira e Mendonça Filho ficam fora
Se alguns nomes chegam, outros deixam a Câmara Federal depois de não conseguirem renovar o mandato ou, nos casos de André Ferreira e Mendonça Filho, por terem escolhido outras disputas.
Pastor Eurico (PSDB) terminou 2026 com 36.503 votos. O resultado ficou abaixo dos 100.811 votos obtidos em 2022 e dos 125.025 votos conquistados em 2018. Ele havia sido reeleito em 2022 pelo PL, mas mudou de partido para a disputa deste ano.
Fernando Rodolfo (PRD) também não conseguiu a reeleição. Ele recebeu 15.394 votos em 2026. Em 2018, havia sido eleito pela primeira vez com 52.824 votos e, em 2022, ampliou a votação para 60.088 votos. Na comparação com a eleição anterior, perdeu 44.694 votos, uma redução de aproximadamente 74,4%.
Outro deputado que fica fora da nova bancada é Coronel Meira (PL). Em 2026, recebeu 55.542 votos e terminou como suplente. Em 2022, quando foi eleito para a Câmara, havia obtido 78.941 votos.
André Ferreira (PL) também deixa a Câmara Federal, mas por uma razão diferente. Em vez de disputar a reeleição para deputado federal, decidiu concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco e foi eleito deputado estadual com 118.868 votos. Dessa forma, encerra sua passagem pela Câmara sem uma derrota na disputa pelo mandato federal. A cadeira no Congresso permanecerá com o grupo político da família Ferreira, agora com o retorno de Anderson Ferreira.
Há ainda uma saída que não ocorreu por derrota eleitoral para a Câmara: a de Mendonça Filho. Eleito deputado federal em 2022 pelo União Brasil com 76.022 votos, Mendonça era um nome do campo bolsonarista e deixou a disputa pela Câmara em 2026 para concorrer ao Senado pelo PL. Durante a campanha, reforçou sua aproximação com o bolsonarismo e recebeu apoio de Flávio Bolsonaro.
Mendonça terminou a eleição para o Senado com 1.728.587 votos, o equivalente a 18,57% dos votos válidos, mas ficou em terceiro lugar e não conquistou uma das duas vagas de Pernambuco, destinadas a Humberto Costa e Marília Arraes.
Com o resultado, a direita pernambucana terá uma composição diferente na Câmara Federal a partir de 2027. No núcleo mais diretamente ligado ao bolsonarismo, são quatro nomes: Anderson Ferreira, Gilson Machado Neto, Thiago Medina e Clarissa Tércio. Já considerando um campo mais amplo da direita e do conservadorismo, Eduardo Moura também chega à Câmara pelo Novo.










