Narrada pelo poeta Homero, a história do presente de grego aos troianos na Guerra de Tróia. Mas qual era o presente? Era um impetuoso cavalo de madeira, lindo, com adornos exponenciais. Os troianos amaram tanto o presente que conduziram o equino para dentro de suas fortalezas. No entanto, eles não sabiam que de dentro do animal de madeira sairia soldados espartanos e renderiam o coração bélico de Tróia.
Passados mais de 3 mil anos, o prefeito de Chã Grande, Diogo Alexandre, quer entregar as próximas gerações de nossa terra, um intempestivo empréstimo que coaduna com o presente dado aos troianos. O ofício enviado à Câmara de Vereadores da Terra do Chuchu, Diogo solicita autorização da Casa do Povo para contrair uma dívida que pode chegar a 30 milhões de reais junto à Caixa Econômica Federal. Ele adverte que essa quantia seria investida em obras estruturadoras.
Não sou contra o desenvolvimento de Chã Grande. Muito pelo contrário, acredito que esse município possui local estratégico para vários setores, especialmente para a agricultura, seu pulmão econômico. Isso porque somos terra de um povo trabalhador e comprometido com a evolução local, no entanto, estamos à beira de um colapso das contas públicas, esse empréstimo, irá comprometer o futuro de nosso município. Os valores alocados para o pagamento da dívida devem reduzir investimentos em áreas essenciais (saúde, educação e segurança pública), que se diga de passagem, já enfrentam dias nebulosos com a falta de sensibilidade do poder público.
Peço, encarecidamente que o Poder Legislativo promova uma audiência pública para tratar desse tema e venha a interpor sobre essa atitude tão insensata e descomprometida com a nossa gente.
Os troianos não sabiam o que havia dentro do animal de madeira; os vereadores de Chã Grande têm o poder de apresentar o interior do dito presente de grego que o gestor quer nos ofertar.
Márcio Bezerra – professor especialista em Ensino de História do Brasil e servidor público.














