Ismael Alves – Desde que o vereador Ademir Batista, presidente da Câmara de Chã Grande, deu transparência ao Projeto de Lei Municipal n° 07/2023, do Executivo, que solicita autorização do Legislativo para a contratação de um empréstimo de R$ 30 milhões via FINISA, pela Caixa Econômica Federal, não se fala em outra coisa no município.
Os questionamentos – pertinentes e necessários – acerca do impacto comprometedor que a dívida milionária poderá causar nos serviços e no funcionalismo público pelos próximos anos nunca foram respondidos. Não há uma única resposta técnica, formal ou informal, sobre tais reflexos ou até mesmo sobre pagamentos e juros. Não existe sequer um plano de trabalho anexado ao projeto para a defesa, mesmo que incabível, de uma ideia tão fora da realidade ante um município que não tem receita própria e que depende do FPM para se manter.
No dia 17 de julho deste mês, data da Audiência Pública realizada pela Câmara para buscar esclarecimentos acerca do assunto, ocasião na qual nenhuma resposta foi concedida com clareza por parte do Executivo, que ficou limitado a tecer críticas a uma gestão finalizada há quase 8 anos – e que nada tem a ver com o empréstimo de R$ 30 milhões – a prefeitura enviou à Câmara, naquela manhã, o Ofício n° 048/2023, como um “texto complementar ILUSTRATIVO de alguns projetos que serão contemplados” a partir do empréstimo de R$ 30 milhões, relata trecho do ofício.
Entre os diversos dados que apontam supostos investimentos, em “asfalto, pavimentação, saneamento, terminal rodoviário – reformado no ano passado -, escadarias (sem citar nomes das ruas) e outros, há um que chama ainda mais a atenção: a construção de um “centro administrativo”, que seria uma nova prefeitura, no valor de R$ 20.731.167,49 (vinte milhões, setecentos e trinta e um mil, cento e sessenta e sete reais e quarenta e nove centavos).
Vale lembrar que a ideia do empréstimo coincide com o término de dois mandatos consecutivos do prefeito Diogo Alexandre (Avante), ficando o ônus da dívida para as próximas gestões.
Estes elementos são motivos mais que suficientes para a população questionar o assunto e ter acesso às informações com profundidade, bem como, os Poderes Legislativo e Executivo se atentarem às suas responsabilidades, afinal, um empréstimo na ordem de R$ 30 milhões pode, sim, quebrar um Município no porte de Chã Grande.
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