
Ismael Alves – A disputa pelo Governo de Pernambuco nas eleições deste ano já se mostra polarizada desde a pré-campanha. E isso não é novidade no cenário político do estado. A menos que surja alguma surpresa no caminho, o que é pouco provável, a eleição tende a se consolidar em torno da atual governadora, Raquel Lyra (PSD), que buscará a reeleição, e do prefeito do Recife, João Campos (PSB), que deverá disputar o cargo de governador pela primeira vez.
Raquel e João têm características em comum que ajudam a explicar o peso político de ambos nesse cenário. Os dois nunca perderam uma eleição. Ainda assim, a disputa deste ano carrega um elemento inevitável. Pela primeira vez, um deles deverá experimentar o sabor amargo de uma derrota nas urnas.
Trajetórias políticas marcadas por vitórias eleitorais
João Campos iniciou sua trajetória pública como chefe de Gabinete do ex-governador Paulo Câmara (PSB), antes de seguir para o Legislativo. Ele é filho do ex-governador Eduardo Campos, que morreu em um acidente aéreo em 2014, na cidade de Santos, durante a campanha presidencial daquele ano.
O pai de Raquel Lyra, João Lyra Neto, também foi governador de Pernambuco. Ele era vice de Eduardo Campos e assumiu o comando do estado naquele mesmo ano, quando Eduardo deixou o cargo para disputar a Presidência da República.
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João Campos é filiado ao PSB, partido ao qual Raquel Lyra também já pertenceu. Durante o governo de Eduardo Campos, ela foi chefe da Procuradoria de Apoio Jurídico e Legislativo do Governo de Pernambuco.
Antes de chegar à Prefeitura do Recife, João Campos foi deputado federal pelo PSB. Raquel Lyra também teve passagem pelo Legislativo estadual. Filiada ao mesmo partido à época, foi eleita deputada estadual em 2010 como a mulher mais votada de Pernambuco, sendo reeleita em 2014. João Campos, por sua vez, foi eleito deputado federal em 2018 com a maior votação da história de Pernambuco para o cargo, marca que permanece até hoje.
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Raquel Lyra também construiu trajetória marcada por feitos eleitorais em Caruaru. Ela foi eleita prefeita da cidade por duas vezes. Na primeira eleição, em 2016, tornou-se a primeira mulher a governar o município. Também entrou para a história como a pessoa mais jovem a assumir a prefeitura de Caruaru, aos 38 anos, em 2017. Posteriormente, tornou-se também a primeira prefeita reeleita da cidade.
João Campos construiu trajetória semelhante na capital pernambucana. Ele foi eleito prefeito do Recife em 2020 e reeleito em 2024. Também é dele o recorde de maior votação da história da cidade para o cargo, tanto em números absolutos quanto percentuais. Em 2020, aos 27 anos, tornou-se a pessoa mais jovem a ser eleita prefeito do Recife e também o prefeito mais jovem eleito para uma capital brasileira.
No campo político nacional, os dois também disputam espaço no mesmo ambiente de alianças. Ambos buscam o apoio político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2022, Raquel Lyra optou por uma posição de neutralidade na disputa presidencial, movimento que acabou atraindo também o apoio de setores bolsonaristas em sua campanha estadual.
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Ainda quando era prefeita de Caruaru, porém, Raquel chegou a evitar um encontro institucional com o então presidente Jair Bolsonaro durante visita dele ao município, em 2021. João Campos, por sua vez, também mantém posicionamento político contrário ao ex-presidente.
Com trajetórias que acumulam vitórias eleitorais e origens políticas marcadas por lideranças familiares importantes no estado, Raquel Lyra e João Campos caminham para uma disputa que promete ser uma das mais acirradas da política pernambucana nas últimas décadas.













