
Ismael Alves – Um dos assuntos mais comentados da semana foi a eleição da deputada trans Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A escolha ocorreu na última quarta-feira (11), e gerou forte repercussão política e nas redes sociais, dividindo opiniões sobre a presença de uma parlamentar trans à frente de um colegiado dedicado às pautas femininas.
Deputada trans aciona autoridades e caso chega à Justiça
Uma das reações que mais repercutiram veio do apresentador Carlos Massa. Durante o Programa do Ratinho exibido na noite de 11 de março, no SBT, o comunicador comentou a eleição da deputada trans para o comando da comissão.
Na ocasião, Ratinho afirmou respeitar a diversidade sexual e a população trans, mas defendeu que a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher deveria ser ocupada por uma mulher biológica. Para sustentar seu posicionamento, citou características ligadas ao corpo feminino, como a presença de útero, o ciclo menstrual e a experiência da gestação e do parto, argumentando que apenas uma mulher biologicamente nascida mulher poderia representar plenamente outras mulheres na comissão.
As declarações provocaram forte repercussão política e nas redes sociais. Após o episódio, a deputada trans Erika Hilton apresentou representação ao Ministério Público Federal. A partir da denúncia, o órgão ingressou na Justiça com uma ação civil pública contra o apresentador e contra o SBT.
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Na ação, o Ministério Público Federal pede a condenação ao pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, além de medidas como retratação pública e retirada do conteúdo considerado ofensivo das plataformas digitais.
Paralelamente à atuação judicial, Erika Hilton também protocolou pedido administrativo junto ao Ministério das Comunicações solicitando a suspensão do Programa do Ratinho por 30 dias, alegando que as declarações exibidas em rede nacional configurariam discurso discriminatório.
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Após a repercussão do caso, Ratinho voltou a se pronunciar em vídeo divulgado nas redes sociais. O apresentador afirmou que não tem posicionamento contrário à população trans e declarou que suas falas foram feitas no campo da crítica política e jornalística. Segundo ele, o comentário tratava de opinião sobre representação institucional e não de ataque pessoal, acrescentando que não pretende se calar diante do debate público.
O episódio ampliou o debate nacional sobre representação política, identidade de gênero e os critérios para ocupar cargos institucionais ligados às pautas femininas. Enquanto setores da sociedade ligados à ala da esquerda defendem a permanência da deputada trans na presidência da comissão, movimentos contrários passaram a circular nas redes sociais questionando a escolha e defendendo que o posto seja ocupado exclusivamente por uma mulher biologicamente nascida mulher.











