Ismael Alves – O PT de Pernambuco continua sem definição para as eleições de 2026 e o motivo todo mundo já sabe: um racha interno que não é de hoje. Enquanto uma parte do grupo está amarrada com o prefeito do Recife, João Campos, a outra parte não solta a mão da governadora Raquel Lyra. No meio desse “nem-nem”, de quem não é oposição e nem situação, o que se vê são políticos da sigla pisando em ovos. É a famosa tentativa de agradar a dois senhores ao mesmo tempo para não fechar nenhuma porta.
O malabarismo de Doriel Barros com o caso da “espionagem” da PCPE
Um exemplo claro desse jogo de conveniência aparece nas redes sociais do deputado estadual Doriel Barros (PT). Ao comentar a reportagem da TV Record que denunciou o uso da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) para espionar adversários de Raquel Lyra, Doriel, que é ligado ao governo estadual, preferiu adaptar sua fala para não incomodar a governadora. Enquanto a reportagem disse com todas as letras que a polícia estava espionando o secretário da Prefeitura do Recife, o petista inicia o vídeo falando que a PCPE está “investigando” um secretário.
Doriel tentou trazer um ar de legalidade para as ações da Polícia Civil que foram consideradas irregulares até pelo Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol).
A saída pela tangente para não se queimar com ninguém
Para não desagradar o governo de Raquel e nem pressionar o grupo de João Campos, Doriel Barros preferiu amenizar a polêmica, mas de forma dúbia, como quem também condenasse qualquer irregularidade. Confira a fala do deputado na íntegra:
“A gente sabe que denúncias acontecem; nem sempre elas são verdadeiras. A polícia tem que agir com todo respeito. Nós estamos no processo, numa democracia, tem que respeitar as pessoas, e o julgamento não pode ser feito de maneira precipitada. Por isso, eu prefiro agir com coerência e com responsabilidade; esperar o final das investigações para que a gente possa cobrar punição severa àqueles que cometeram qualquer irregularidade que comprometeram o processo democrático de direito a qual nosso país e nosso estado vive. É essa minha posição, é essa minha postura diante desse caso.”
No muro, o PT espera para ver quem ganha o jogo
A postura de Doriel Barros resume bem o atual estado do PT pernambucano. O deputado usou a conveniência de seu cargo e de sua posição política para não incomodar Raquel Lyra, mas também teve o cuidado de não desagradar João Campos. Enquanto a eleição de 2026 não chega, o partido segue nesse equilibrismo para não perder o espaço e as benesses que tem com nenhum dos dois grupos, mesmo que para isso precise ignorar a gravidade de denúncias tão sérias como a arapongagem contra adversários da governadora. A SDS-PE negou espionagem.













