
G1 – Os pacientes que utilizam bolsas de colostomia em Pernambuco têm sofrido com a falta do produto na rede pública estadual de saúde, principalmente os que são atendidos no Hospital Barão de Lucena, na Iputinga, na Zona Oeste do Recife.
Sem receber o material há várias semanas, os pacientes ostomizados fizeram, na manhã desta quarta-feira (11), um protesto em frente ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, e foram recebidos pelo secretário executivo da Casa Civil, Yuri Coriolano.
Bolsa de colostomia é um dispositivo médico que funciona como uma prótese coletora, que coleta resíduos biológicos como urina e fezes em pessoas com algumas condições de saúde que afetam o trato intestinal e urinário.
Uma pessoa ostomizada elimina as fezes diretamente para a bolsa de colostomia e precisa trocar o material no máximo a cada três dias, o que torna o tratamento caro para a maioria das pessoas. Desde que o produto começou a faltar na rede estadual de saúde, alguns pacientes têm usado a bolsa por até sete ou 10 dias.
O dispositivo tem vários modelos e cada pessoa deve usar o tipo específico para a sua questão de saúde, sem poder trocar por “genéricos” ou modelos diferentes, sob o risco de desenvolver infecções e outros problemas de saúde.
O material começou a faltar em Pernambuco em dezembro de 2023, quando passou a ser distribuído de forma irregular. Em janeiro deste ano, a situação piorou, e 2.800 pessoas estavam cadastradas para receber as bolsas de colostomia no Hospital Barão de Lucena. Atualmente, 3.100 pessoas estão na lista de espera pelo material na unidade de saúde.
A Associação de Ostomizados de Pernambuco tem ajudado os pacientes com doações, mas não consegue atender toda a demanda. Os ostomizados já registraram denúncias e queixas junto ao governo de Pernambuco, à Secretaria Estadual de Saúde, às defensorias públicas do Estado e da União, ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), mas não conseguiram uma solução para o problema.
A última promessa do governo era de que a situação seria regularizada e cada pessoa receberia 10 bolsas de colostomia por mês, quantidade suficiente para uma troca a cada três dias. Entretanto, o prazo não foi respeitado, e agora o dispositivo está totalmente em falta.
A Secretaria Estadual de Saúde enviou uma nota em que afirma que está “trabalhando para regularizar a situação”. Também disse que:
Concluiu alguns contratos e, com isso, será possível ampliar o atendimento às pessoas que precisam de bolsas de colostomia;
Em 15 dias, as bolsas adquiridas nos novos contratos de compra vão chegar para quatro grupos;
Para saber se o material chegou, os pacientes devem telefonar para o hospital;
Vai disponibilizar um aplicativo para facilitar a consulta sobre a disponibilidade dos dispositivos médicos;
Vai identificar os pacientes que podem fazer a cirurgia para reverter a situação.
Veja o vídeo:











