
Ismael Alves – O deputado federal Carlos Veras, à frente do comando do PT de Pernambuco desde agosto de 2025, tem enfrentado dificuldades para manter a unidade do partido mirando as eleições de 2026. Embora a sigla esteja teoricamente alinhada à pré-candidatura de João Campos (PSB) ao governo do Estado, com o senador Humberto Costa (PT) buscando a reeleição, setores importantes do partido seguem em direção contrária.
Deputados estaduais como Doriel Barros e João Paulo, além de Rosa Amorim até recentemente, têm resistido à orientação da direção estadual. O cenário, como destacou a jornalista Terezinha Nunes no Blog Dellas, reflete um histórico recente em que o partido caminhou lado a lado com a base governista, inclusive durante a presidência de Doriel Barros.
A própria condução de Veras também contribuiu para o ambiente ambíguo que agora foge ao seu controle. Em abril deste ano, ele chegou a afirmar que não haveria punição para parlamentares que não seguissem as orientações partidárias. Agora, conforme declarou na segunda-feira (13) ao Blog Dantas Barreto, o deputado endureceu o discurso e avisou que “todos os processos que chegarem à direção do PT serão analisados e não se encerrarão quando acabar a eleição deste ano”, concluindo que “os dirigentes são responsáveis por suas decisões” e quem não seguir as orientações do partido terá legenda negada nas eleições de 2028.
A dificuldade de comando, no entanto, tem escalado para episódios mais sensíveis, gerando constrangimentos e colocando em xeque sua capacidade de liderança. Um dos casos mais emblemáticos é o do vereador Osmar Ricardo, presidente do PT do Recife, que lidera uma corrente abertamente contrária ao projeto de João Campos. Ele já admitiu, publicamente, a intenção de se licenciar do cargo para se dedicar à reeleição da governadora Raquel Lyra.
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O movimento é visto, nos bastidores, como uma força difícil de conter, que segue, de vento em popa, em direção oposta à bússola traçada pela direção estadual, interpretado também como um sinal claro de que o desafio de unificar o partido pode ser maior do que o previsto inicialmente.











