
Ismael Alves – O ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), afirmou na última quinta-feira (4) que 97% das obras rodoviárias em andamento ou já entregues nos últimos três anos foram projetadas até o final de 2022, antes da posse da governadora Raquel Lyra (PSD). A declaração foi dada durante encontro com empresários na Federação das Indústrias do Estado (Fiepe), no Recife.
A fala tem um alvo político claro. Raquel Lyra tem concentrado sua pré-campanha à reeleição na imagem de gestora que executa e entrega obras. João Campos, ao apresentar o percentual de 97%, procura mostrar que as realizações da atual administração são fruto de projetos concebidos em gestões anteriores, incluindo a de Paulo Câmara (PSB), da qual foi chefe de Gabinete. A mensagem implícita é que, sem os projetos herdados, o governo atual teria pouco a inaugurar.
O ex-prefeito aproveitou a presença de representantes da indústria para defender um novo ciclo de desenvolvimento para Pernambuco. Ele propôs a criação de um programa estadual de formação tecnológica com 10 mil vagas no ensino superior, inspirado no Embarque Digital, iniciativa de sua gestão na Prefeitura do Recife. Também defendeu que o Estado assuma a execução do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina até o Porto de Suape para tentar destravar a obra.
Risco na estratégica
A ofensiva envolve riscos. Ao insistir que os projetos são anteriores a 2023, João Campos pode reforçar o argumento de Raquel Lyra de que os governos passados planejavam mas não executavam, e que coube a ela tirar as obras do papel.
Ainda assim, a jogada do pessebista revela uma tentativa de mudar a régua pela qual o eleitor vai comparar os candidatos em 2026. Ele quer que a campanha discuta não apenas quem está entregando agora, mas quem tem capacidade de pensar o que Pernambuco precisará nos próximos anos, especialmente diante das mudanças trazidas pela reforma tributária e da competição entre estados por novos investimentos.













