
Ismael Alves – À medida que ganha força a possibilidade de o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e a ex-deputada federal Marília Arraes aderirem ao grupo político da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, o sentimento do constrangimento também busca se acomodar.
Não por causa de uma eventual mudança de posicionamento. Na política, mudanças são comuns e fazem parte da democracia. O incômodo está na forma como se deu o comportamento de Silvio Costa Filho em relação a Raquel Lyra ao longo dos últimos anos, especialmente nos meses mais recentes, assim como no de Marília Arraes, adversária ferrenha que protagonizou embates por vezes constrangedores durante as eleições de 2022.
As trocas de farpas continuaram acontecendo depois daquela campanha e se estenderam até poucos dias atrás. Ainda assim, tudo indica que o trio caminha para trocar de discurso, dada a conveniência e a necessidade de busca pela sobrevivência política dos envolvidos. Caso as acomodações se confirmem, Silvio Costa Filho, Marília Arraes e Raquel Lyra terão que trocar de carapaças, como caranguejo.
Discursos do passado diante da conveniência do presente
As constantes juras de amor de Silvio Costa Filho ao prefeito do Recife, João Campos, feitas até poucos dias atrás, poderão soar como palavras ao vento, como diz a canção de Marisa Monte e Moraes Moreira, popularizada na voz de Cássia Eller, assim como as críticas recorrentes feitas por ele a Raquel Lyra.
Para Silvio, disdizer, como diz o bom matuto, não é dificuldade. Afinal, ele mesmo falava em passagens de avião ao preço de R$ 200, até que um dia, de um instante para outro, afirmou, durante entrevista ao programa Roda Viva, que um programa de voos com passagens a R$ 200 seria “insano”, como alguém que nunca tivesse defendido a ideia.
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Marília Arraes, por sua vez, também terá que engolir as mágoas que ficaram e trocar de sentimento com a mesma habilidade de quem troca de partido. Ela já passou pelo PSB, PT e pelo Solidariedade, antes de se filiar ao PDT, tendo deixado em todas as siglas por onde passou um rastro de brigas e insatisfações.
Agora, no PDT, o plano dela está nas mãos de Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência no governo Lula, que deixou o cargo quando o escândalo do INSS veio à tona. Antes disso, Lupi já havia deixado outro ministério em meio a polêmicas ainda no governo de Dilma Rousseff, quando comandava o Ministério do Trabalho e saiu da pasta em meio a denúncias de irregularidades em convênios com ONGs.
Já Raquel Lyra poderá acabar descobrindo que tem, sim, o negado “parentesco” com Marília. Em um dos icônicos debates de 2022, a governadora afirmou: “Olha, não sou teu primo. Aqui não é uma briga da cozinha da tua casa, que vocês brigam de dia e se arrumam de noite, no almoço de domingo ou no jantar, na vida de vocês. Aqui, nós estamos falando sério”.
Outro personagem que aparece na dança das incertezas é o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, que também deseja disputar uma vaga no Senado. Seu nome surge nesse cenário de movimentações, embora até recentemente tenha dado declarações de reafirmação de apoio, chegando a expor que, ao ser procurado por Raquel Lyra no ano passado, negou apoio à governadora.
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Naquele momento, como quem parecia saber com quem falava, Raquel se limitou a dizer que mais cedo ou mais tarde os momentos aconteceriam, como quem já soubesse do destino de Miguel ou apostasse em uma fragilidade no seu posicionamento.
Nessa iminente mexida proporcionada pelo afunilamento dos prazos eleitorais também aparece o deputado federal Eduardo da Fonte, que pretende disputar o Senado. Embora faça parte do governo Raquel Lyra, onde detém muito espaço na administração estadual, a exemplo da Secretaria de Turismo, do Lafepe, Ceasa, Detran e de outros órgãos, nos bastidores é dada como certa uma mudança para o grupo de João Campos, que deverá disputar o Governo de Pernambuco.
A diferença, no entanto, está na maturidade política,. Ao longo do tempo, mesmo em campos opostos, Eduardo da Fonte, assim como João Campos, evitaram partir para ataques pessoais e críticas que pudessem deixar indigesta qualquer composição futura. Ambos parecem compreender que não se deve fazer política como se não houvesse amanhã.











