
Ismael Alves – Após participar do programa Jota Silva, na última quinta-feira (26), na Rádio Gravatá FM (92,3 MHz), como de costume, paramos para conversar sobre política e atualidade. Na roda de conversa estava o empresário João Machado Guimarães, diretor e um dos fundadores da emissora.
Seu João, como o chamo desde quando passei pelo quadro de servidores da Gravatá FM, relembrou, por ocasião da aproximação da Semana Santa, o dia em que foi chamado de “herege” pelo Padre Cremildo. O religioso, que foi prefeito entre os anos de 1977 e 1982, é lembrado até hoje por uma gestão que deixou profundas memórias de aprovação na população. Além disso, era um líder respeitado em toda a região.
Certo dia, no auge da década de 90, João Machado teve a ideia de ousar em plena Semana Santa. Ele recorda que, antes, a grande atração desse período do ano era o “Aleluia, Gravatá”, no Manibu, realizado em parceria com o Circo Maluco Beleza e Fábio, da Sucesso Produções. Em certo momento, decidiram montar o Parque de Vaquejada Haras da Serra, que abrigaria grandes shows e eventos do esporte.
A primeira Semana Santa do Haras da Serra foi um sucesso nacional, marcando o pioneirismo dos grandes festivais de Gravatá. A primeira edição contou com nomes como a dupla Zezé Di Camargo & Luciano, Molejo e o grupo É o Tchan, que estava no auge com Carla Perez, entre outros.
O grupo baiano tocou na Sexta-feira da Paixão e a programação agradou a um público que superou todas as expectativas. No entanto, a festa badalada, turbinada pela sensação nacional dos anos 90 e o sucesso “Na boquinha da garrafa”, desagradou profundamente a uma pessoa de quem João Machado preserva a memória com carinho: o Padre Cremildo.
Com bom humor, João Machado lembra que, naquele dia, o padre o chamou de “herege”. O motivo era claro: além de promover a festa na Sexta-feira da Paixão, quando a Igreja só era favorável a eventos religiosos para ocasião, João ainda levou a “loira do tchan” para dançar “na boquinha da garrafa”.
Entre risos, Seu João conta que o choque foi inevitável. De um lado, a tradição religiosa de uma Gravatá que parava em silêncio para a Via Sacra; do outro, o furacão baiano descendo até o chão sob as luzes do Haras da Serra em plena sexta-feira santa.
O “herege” que impulsionou os grandes eventos de Gravatá
A “heresia”, no entanto, acabou sendo o marco zero de uma nova era para o turismo de eventos em Gravatá. O que o Padre Cremildo repreendeu por considerar um desvio, o tempo provou ser o DNA dos grandes festivais. Pouco tempo depois, João Machado tornou-se secretário de Turismo da Suíça brasileira.










