
Ismael Alves – O anúncio da pré-definição da Frente Popular para concorrer ao Governo de Pernambuco nas eleições deste ano tem sofrido uma metamorfose. Aos poucos, a estratégia deixa de ser um passo à frente na pré-campanha de João Campos e dá sinais de que está se transformando num “pé na jaca”. O maior dilema reside na composição para as duas vagas que devem concorrer ao Senado.
Humberto Costa e Marília Arraes são os nomes já tornados públicos como uma equação aparentemente resolvida. Mas, na prática, as coisas não são tão simples assim. Enquanto Marília faz questão de demonstrar empolgação com a acomodação política, o PT de Pernambuco caminha em outra rota.
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Humberto e a ala petista estadual, que mantém um pé dentro do Palácio e goza de privilégios no governo Raquel Lyra, têm demonstrado pouco ou nenhum interesse na aliança. O partido deixa claro que, no estado, não tem nada decidido, embora a chapa tenha sido composta de cima para baixo, vinda do plano nacional.
Feridas abertas e o risco de Humberto diante de Marília
As feridas entre Marília Arraes e Humberto Costa ainda estão expostas, embora a neta de Miguel Arraes trate o assunto como algo superado. Para Humberto, as marcas estão inflamadas por dois fatores: o histórico pesado de aborrecimentos com a agora aliada e o risco iminente de não conseguir a reeleição dividindo o mesmo palanque com ela.
Há três anos, em entrevista ao jornalista Luis Nassif, Marília desabafou sobre as mágoas com o senador. Ela atribuiu a ele sua saída do PT, alegando que os conflitos internos evoluíram ao ponto de tornar a permanência inviável. Marília classificou o desfecho como decisão “muito dolorosa” e responsabilizou diretamente Humberto.
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Na mesma ocasião, ela disparou que “o PT de Pernambuco não cresce por causa dos projetos pessoais de Humberto Costa”. Marília exemplificou citando 2012, quando ele teria impedido a reeleição do então prefeito do Recife, João da Costa, por desejar a vaga. “Terminou que o PT [com Humberto candidato] perdeu a prefeitura depois de 12 anos de gestão”, relembrou.
Marília encerrou afirmando que “são vários episódios. Desde que eu era criança que existem esses episódios em torno do senador Humberto Costa”.
Além do desgaste pessoal, existe o cálculo eleitoral. O receio é que Marília absorva os votos para o Senado de forma considerável, enquanto Humberto não consiga o mesmo ritmo de adesão. Mesmo com a decisão de Silvio Costa Filho de disputar a reeleição para a Câmara Federal, o temor petista persiste: o de que um nome da oposição ganhe fôlego no vácuo de Humberto e o PT perca uma cadeira na Casa Alta.
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