
Ismael Alves – Uma justiça mais desacreditada do que nunca. A começar pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta instância do Judiciário do país.
Desconfiança no STF atinge recorde e levanta dúvidas sobre imparcialidade
Levantamento da AtlasIntel em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo, em reportagem assinada por Weslley Galzo, mostra que 60% dos brasileiros afirmam não confiar no STF, enquanto apenas 34% dizem confiar. Outros 6% não souberam ou preferiram não opinar.
Trata-se do pior nível de confiança desde o início da série histórica, em janeiro de 2023. Naquele momento, o cenário era equilibrado, com 45% de confiança e 44% de desconfiança. Desde então, a curva negativa só avançou, atingindo agora seu ponto mais crítico.
O descrédito ganhou impulso com o escândalo envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. A condução do inquérito pelo próprio STF, somada às suspeitas de que integrantes da Corte teriam sido beneficiados financeiramente na relação com o empresário, fortaleceu a percepção de falta de imparcialidade entre os magistrados.
A avaliação de parte significativa da população é de que ministros não julgam com o necessário distanciamento das partes e, em alguns casos, poderiam estar diretamente envolvidos no contexto investigado. Esse tipo de percepção atinge o coração da credibilidade da instituição.
Como explica o professor de direito constitucional Oscar Vilhena, da Fundação Getulio Vargas, a autoridade de tribunais depende de três pilares: independência, imparcialidade e capacidade de decisão objetiva. Quando um desses elementos é colocado em dúvida, especialmente a imparcialidade, o impacto na confiança pública é imediato.
O resultado é um Judiciário sob desconfiança crescente, em que a mais alta Corte do país passa a enfrentar não apenas questionamentos jurídicos, mas um desgaste profundo junto à opinião pública.













