
Gritos no túnel da Serra das Russas e a dúvida: eco, coisas do além ou nova lenda urbana?
Ismael Alves – Um mistério atravessou as paredes densas do Túnel Plínio Pacheco, na BR 232, entre Pombos e Gravatá, e ganhou vida nas redes sociais. Um vídeo sem autoria definida passou a viralizar desde o início do mês. No registro, um carro cruza o túnel enquanto alguém filma com o celular, como fazem muitos que passam por ali.
É noite. O ambiente, iluminado por fortes leds instaladas neste ano pela gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) em parceria com a Neoenergia, cria uma claridade que deixa o túnel como dia. O cenário é de normalidade, até que a pessoa que filma pergunta se o outro ocupante também está ouvindo gritos. O som, agudo, prolongado e inquietante, ecoa no vídeo, mas nada se vê além do asfalto vazio e das luzes frias que clareiam o concreto.
A gravação circulou rapidamente e abriu espaço para interpretações diversas. Em comentários feitos no post da página Web Rádio Pombos, que também publicou o vídeo, internautas atribuem o som ao atrito dos pneus com a pista, alimentado pela acústica da estrutura. Outros falam em manipulação sonora. Há também quem afirme que o lugar guarda uma energia que não pertence ao campo das explicações racionais.
Alguns internautas relatam ter ouvido os mesmos gritos enquanto cruzavam o túnel. Uma internauta contou que seguia em um ônibus universitário quando um colega disse ter visto pessoas com roupas estranhas caminhando em fila dentro do túnel. Ela olhou, mas não viu nada. Os demais também não.
Há ainda quem relacione o túnel à ponte próxima, conhecida por casos de suicídio. Antes da instalação da proteção metálica, muita gente atravessava a mureta e se jogava no abismo de mais de 70 metros de altura. A estrutura saiu do papel através de emenda de R$ 500 mil do deputado federal Eduardo da Fonte. Desde então, os saltos mortais no local não foram mais registrados, mas as histórias nunca cessaram.
A Serra das Russas sempre teve seus rumores. É uma região que atravessa a paisagem, o imaginário e, por vezes, o silêncio. Estrada sinuosa, ponte elevada, túnel iluminado em plena escuridão do Agreste. Há quem diga que lugares assim guardam memórias vivas.
Fica a pergunta que não se cala e parece ainda se propagar pela extensão do túnel: os gritos que se ouvem no vídeo são reais ou acabamos de assistir ao nascimento de uma nova lenda?
Veja o vídeo:












