
Viviane Facundes destaca preconceito político e lança livro em Gravatá
Ismael Alves – Embora o ambiente político ainda represente desafios para as mulheres, o preconceito não parte da população, mas de grupos adversários. A declaração é da primeira-dama e secretária de Obras e Serviços Públicos de Gravatá, Viviane Facundes, durante entrevista concedida ao programa Diálogo, apresentado por Pedro Paulo, na TV Nova Nordeste, na última quinta-feira (18).
Viviane Facundes não é apenas uma figura política, mas também uma mulher que enfrenta e desafia normas sociais que muitas vezes limitam a participação feminina na política. Sua trajetória é emblemática, especialmente em um setor que historicamente tem sido dominado por homens. Ela traz à tona questões relevantes sobre a misoginia e o preconceito que ainda permeiam o ambiente político, evidenciando que esses problemas não são apenas pessoais, mas refletem uma estrutura mais ampla de desigualdade.
Na ocasião, Viviane falou sobre o lançamento do seu primeiro livro, intitulado “Quase freira, casei com padre”, obra em que narra de forma intimista sua trajetória ao lado do padre Joselito Gomes, atual prefeito de Gravatá, com quem construiu família e história.
O livro “Quase freira, casei com padre” não é apenas uma autobiografia, mas também um testemunho da luta e das conquistas de Viviane. Ao compartilhar sua história, ela oferece aos leitores uma visão íntima da vida ao lado de um líder religioso e como essa relação moldou sua identidade e seu papel na sociedade. Esse tipo de narrativa é essencial, pois ajuda a desmistificar a figura da mulher em posições de poder e influencia o modo como as mulheres se veem no espaço político.
Ao ser questionada pelo editor deste blog se o fato de ser mulher e ter casado com um padre poderia intensificar episódios de preconceito, e de onde esses ataques partiam, Viviane explicou que a população gravataense sempre demonstrou acolhimento. Relatou a aceitação que recebeu após constituir família com Joselito e destacou a trajetória vitoriosa do prefeito no comando do município como reflexo dessa confiança.
Gravatá é um microcosmo em que diversas questões sociais e políticas podem ser analisadas. O acolhimento que Viviane recebeu da população pode ser visto como um reflexo de um desejo de mudança e de uma nova ordem social, onde as mulheres ocupam espaços de destaque e liderança. Isso é especialmente importante em um Estado como Pernambuco, onde a cultura política é marcada por fortes tradições e desafios.
Por outro lado, atribuiu as manifestações de violência de gênero e os ataques direcionados a ela a “um pequeno grupo que tem interesse próprio”, sem citar nomes. Ainda durante a entrevista, mencionou que há, por parte desse grupo, um interesse em “desconstruí-la” devido a possibilidade de seu nome disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Ela frisou, entretanto, que não é filiada a nenhum partido, mas reafirmou que reúne condições para disputar o pleito e que seu nome permanece à disposição da população.
Além disso, a possibilidade de Viviane concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco representa um passo significativo para a representação feminina e uma oportunidade de trazer novas perspectivas sobre políticas públicas, especialmente aquelas que afetam diretamente as mulheres e suas comunidades. A participação ativa de mulheres como Viviane pode inspirar outras a se envolverem na política e a lutarem por seus direitos.
A expressão ‘um pequeno grupo com interesse próprio’ é uma crítica poderosa àqueles que tentam silenciar vozes femininas na política. Este fenômeno de deslegitimação é um desafio que muitas mulheres enfrentam, e Viviane, ao mencioná-lo, abre espaço para um debate mais amplo sobre a necessidade de suporte e solidariedade entre mulheres em contextos políticos e sociais adversos.
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