
Ismael Alves – Durante o mês de janeiro deste ano, o abastecimento de água no município de Chã Grande foi tema de audiência pública na Câmara Municipal. A iniciativa ocorreu após uma visita do vereador Ademir Batista (Avante), presidente do Poder Legislativo, ao reservatório de Amora Grande, em Amaraji, principal manancial que abastece Chã Grande, motivada por uma nota da Compesa que indicava “crise hídrica” na região.
No dia 9 de janeiro, um vídeo gravado por Ademir Batista mostrou a barragem em sua capacidade máxima, com a água no nível do vertedouro, a centímetros de transbordar. O volume de água na barragem descartou a alegação de crise hídrica. Ficou evidente que o problema está relacionado à gestão da Companhia.

No dia 11 de janeiro, os vereadores Célia de Jaci (Solidariedade) e Ademir Batista dirigiram-se ao Ministério Público de Pernambuco, em Gravatá, onde acionaram formalmente o órgão para garantir o abastecimento de água em Chã Grande, além de solicitar que os consumidores que ficaram sem água por 30 dias tivessem suas contas isentas naquele mês.
No dia 24 de janeiro, a Câmara realizou a Audiência Pública, que contou com a participação do Gerente Regional da Compesa, Igor Ferreira, além do prefeito Sandro Advogado (Avante), e representantes de diversos segmentos da sociedade civil. Durante o evento, o descontentamento da população com os serviços da Compesa foi expresso por meio das falas de vereadores, do chefe do Poder Executivo e de moradores em geral, que aproveitaram a oportunidade para manifestar suas insatisfações.
O grande problema por trás do abastecimento em Chã Grande é o atraso na conclusão da Estação de Tratamento de Água (ETA) do município. A obra ficou paralisada durante todo o primeiro ano do governo Raquel Lyra (PSDB), sendo retomada apenas após uma grande mobilização da Câmara, incluindo a realização de outra Audiência Pública. Após o reinício das obras, a previsão de conclusão informada pela Compesa e pelo Governo de Pernambuco foi setembro de 2024. A obra promete dobrar a capacidade de tratamento de água, passando de 30 para 60 litros por segundo. São quase R$ 3 milhões investidos.
Com a mais recente audiência pública, a Compesa informou que a nova previsão de conclusão da ETA, diante das cobranças do Legislativo, Executivo e da população, é para este mês de fevereiro. Enquanto isso, um dado que não surpreende os moradores foi divulgado pela APAC em 29 de janeiro, apontando que o nível da barragem de Amora Grande, como já denunciado pelo vereador Ademir Batista, estava em 97% da sua capacidade. O informe apenas confirmou que o problema do abastecimento em Chã Grande não é a falta de água, mas o atraso na obra, de responsabilidade da Compesa e do Governo de Pernambuco, além de falhas na gestão da companhia. Apesar de uma leve melhora após a audiência pública, mesmo com as chuvas dos últimos dias, o abastecimento de água em Chã Grande continua deficitário.













