Ismael Alves – Fui surpreendido, hoje, com a notícia do falecimento do gravataense Oswaldo Alves. Conheci Oswaldo através da minha atuação profissional no segmento da comunicação, especialmente no rádio.
Quando apresentei o extinto programa Café com Política pela Rádio Gravatá FM (92,3 Mhz), em 2017, ocasião na qual tive a honra de dividir diariamente a bancada com o amigo Cleiton Pereira, por vezes tivemos Oswaldo Alves na condição de entrevistado.
Todas as suas participações eram apimentadas com uma dose de intelecto e com uma porção extra de sinceridade. Ele adotava sempre a ideologia do ‘doa a quem doer’, mas nunca deixava de falar aquilo que pensava e acreditava.
Inspirado no ex-vereador Arábia (in memoriam), seu pai, Oswaldo tinha no sangue a disposição de lutar pelos seus ideais. Técnico em contabilidade e funcionário dos Correios, instituição pela qual trabalhou até se aposentou, ele liderou a greve mais longa da história dos Correios em Pernambuco, em 2003, culminando na conquista de reajuste salarial e inclusão dos pais e aposentados nos planos de saúde.
Oswaldo Alves era um homem ousado. Ele foi candidato a governador de Pernambuco em 2006 e 2018, sempre pelo Partido da Causa Operária (PCO). Nas eleições de 2012, concorreu ao cargo de prefeito de Gravatá pelo mesmo partido, tendo como vice o seu irmão Fernando Arábia. Era uma chapa literalmente puro sangue.
Em 2018, entrevistamos Oswaldo Alves em uma edição especial de sabatinas do programa Jota Silva. Na época, seu posicionamento polêmico sobre a polícia ganhou repercussão pelo fato de ter atribuído às polícias a responsabilidade pelo aumento de homicídios no país. Mesmo sendo pressionado acerca da sua fala – que não representou o posicionamento dos apresentadores do programa – ele se manteve firme e contra argumentou com base nas informações que o levavam a acreditar em tal ideia.
Oswaldo era fã do Café com Política. O programa abriu as portas para a exposição dos seus pensamentos no rádio. Ele foi velado e sepultado em Pesqueira, hoje, onde também construiu amizades e tinha raízes familiares. A prefeitura de Gravatá, por meio de nota nas redes sociais, lamentou o seu falecimento e se solidarizou com a família enlutada.












