Ismael Alves – O reajuste da tarifa cobrada pelo transporte complementar de passageiros entre os municípios de Chã Grande e Gravatá, elevada em R$ 0,50 centavos a partir deste mês, tornou-se motivo de questionamento, o que é natural em uma democracia.
Todos têm o direito de questionar, concordar ou discordar, inclusive quando se diz respeito ao interesse coletivo. Contudo, o caso exige uma reflexão bem ‘pé no chão’ para que se evitem injustiças.
Sempre fui usuário do transporte público, especialmente da linha Chã Grande/Gravatá. Por muitas vezes fiz o percurso em um veículo com um número de passageiros acima da capacidade, mas é bem verdade que por tantas outras também fiz meu itinerário em carros literalmente vazios.
Ver aquela cena me fazia refletir na realidade dos profissionais que trabalham na prestação daquele serviço. Vez ou outra, presenciava motorista e cobrador compartilhando da preocupação sobre o movimento fraco. “Será que vai ser assim até lá?”
A preocupação evidenciada naqueles breves diálogos, muitas vezes silenciados após uma única pergunta e resposta, tem uma explicação: a sobrevivência. É dali que motoristas e cobradores buscam garantir diariamente o pão de cada dia.
O acréscimo de R$ 0,50 centavos ocorre após dois anos do último reajuste, o que representa um aumento de R$ 0,25 centavos por ano. Os profissionais do transporte complementar não dispõem de nenhum incentivo do Poder Público, além da autorização para aquela atividade, diferente dos grandes consórcios. Mesmo assim, é inegável que ao longo dos anos eles têm se organizado e buscado entregar um serviço cada vez melhor.
E, no caso Chã Grande/Gravatá, a categoria tem uma importância ainda maior, considerando que a respectiva rota foi abandonada pelas empresas de ônibus, que a classificam como “inviável, financeiramente”.
Já fui crítico em algumas ocasiões, mas hoje compreendo que estamos no mesmo barco que os motoristas do transporte complementar, os cobradores e suas famílias. Por isso, sobre o reajuste dos R$ 0,50 depois de dois anos, prefiro ficar com o versículo do livro de Mateus 22-21, que diz: dai, pois a César o o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.













