Por Tiago Lima – Podem falar o que quiserem, mas a confirmação do 2º turno para Presidente da República tem sabores diferentes para Lula e Bolsonaro. Embora as projeções petistas tenham se confirmado na margem de erro, fato é que o desempenho do incumbente superou, e muito, as expectativas.
Ademais, embora a bancada da federação formada pelo PT-PCdoB-PV tenha obtido número considerável de parlamentares, fato é que houve uma avalanche de direita no Senado Federal e na Câmara dos Deputados. O chamado “centro democrático” minguou à direita (PSDB) e à esquerda (PSB).
Regionalmente tivemos poucas surpresas, com especial recorte para Minas Gerais, historicamente o estado-pêndulo das eleições. A vitória do presidente Bolsonaro no Rio de Janeiro já era esperada, e Lula não teve um desempenho tão ruim assim em São Paulo, apesar da derrota.
Sobre o parlamento: não teve frente ampla em muitos lugares do Brasil e o resultado também desfavorece a esquerda. No Rio de Janeiro, por exemplo, a esquerda se dividiu e não levou; no Distrito Federal, por sua vez, a direita dividida fez voto útil na ex-ministra Damares Alves e levou a cadeira.
Sendo bem sincero, os apoios de Simone Tebet e Ciro Gomes, respectivamente, significarão muito pouco a quem os receber. Os eleitores de Simone já são mapeados como de centro-direita e tendem ir à Bolsonaro, já os de Ciro se dividem. Não será uma segunda volta fácil para o PT.
Ainda sobre a esquerda, aliás, essa eleição escancarou o que há tempos já sabíamos: o ex-presidente Lula é muito maior que o PT. Prova disso é que muitos dos eleitores que depositaram seus votos em candidatos de direita para o parlamento, digitaram o 13 para Presidente da República.
Bolsonaro, por sua vez, dormiu uma noite tranquila mesmo em desvantagem na disputa pela reeleição. Os resultados de ontem nas eleições legislativas e para os governos estaduais cristalizaram o seu nome como expoente da direita nacional. Chega revigorado para enfrentar Lula.
Por fim, não é novidade o fato de que teremos um segundo turno tão ou mais acirrado do que foi aquele de 1989. Não ouso falar em favoritismo neste momento, mas caso a vitória de Lula se confirme, sua governabilidade será mais frágil e complexa do que inicialmente imaginávamos.
Nunca ocorreu uma virada entre o 1º e 2º turno na disputa pela Presidência da República, mas a eleição desse ano surpreendeu pela resiliência do bolsonarismo, mesmo com todas as suas crises. Sem falar que, muitas vezes, o 2º turno soa como uma nova eleição. Parece ser o caso.
Tiago Lima Carvalho
Bacharel em Relações Internacionais
Especialista em Direito Internacional












