
Ismael Alves – Lula (PT) teve 63,45% dos votos válidos para presidente em Pernambuco. João Campos (PSB), apoiado pelo petista na disputa pelo governo estadual, ficou com 44,82%. Já Raquel Lyra (PSD) foi reeleita com 53,27%. Os números ajudam a entender uma das particularidades da eleição pernambucana: a votação para governador não acompanhou na mesma proporção a preferência presidencial.
A neutralidade de Raquel Lyra durante a campanha é apontada por especialistas ouvidos pelo g1 Pernambuco como um dos fatores que contribuíram para esse resultado. A governadora evitou declarar apoio a Lula ou a Flávio Bolsonaro (PL), mantendo o discurso de que sua prioridade era Pernambuco.
Em reportagem publicada em 10 de outubro, o jornalista Rafael Souza mostrou que Raquel foi a primeira governadora do estado, desde a retomada das eleições presidenciais diretas em 1989, a não declarar apoio a nenhum candidato à Presidência.
Voto para presidente não se repetiu na disputa estadual
O cientista político Juliano Domingues avalia que a estratégia precisa ser entendida a partir das circunstâncias de cada eleição. Segundo ele, a polarização nacional não oferecia, naquele cenário, incentivos para que a governadora se posicionasse a favor de um dos presidenciáveis.
A diferença entre as votações de Lula e João Campos é um dos dados que sustentam essa interpretação. Embora o presidente tenha sido o candidato mais votado em Pernambuco, seu desempenho não se repetiu na disputa pelo governo, vencida por Raquel no primeiro turno.
Para o cientista político Bhreno Vieira, o eleitorado conseguiu avaliar a gestão estadual sem reproduzir automaticamente suas escolhas para a Presidência. Ele também chamou atenção para a eleição de Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) ao Senado, apesar de ambos integrarem o campo de oposição à governadora.
Apoios de diferentes grupos fizeram parte da estratégia
Raquel também contou com o apoio de lideranças ligadas à direita durante a campanha e manteve interlocução com o governo Lula. Mesmo sendo filiada ao PSD, partido que lançou Ronaldo Caiado à Presidência, ela não declarou apoio ao correligionário.
Outro movimento foi a inclusão do deputado federal Túlio Gadelha (PSD), identificado com a esquerda, na chapa ao Senado. Na avaliação de Bhreno Vieira, a composição ajudou a sinalizar aos eleitores progressistas que a candidatura da governadora não estava alinhada exclusivamente à direita.
Os especialistas ouvidos pelo g1 ponderam, no entanto, que o resultado não basta para afirmar que surgiu uma terceira via consolidada em Pernambuco. A projeção política de Raquel para além do estado dependerá também dos resultados de seu segundo mandato, incluindo as entregas de governo e os índices de aprovação.












