
Ismael Alves – Uma estudante de 21 anos denunciou ter sido vítima de importunação sexual no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no bairro de Santo Amaro, na região central do Recife. O caso aconteceu na noite da terça-feira (6), enquanto ela acompanhava a avó na última sessão de radioterapia para tratamento de um câncer.
Segundo o boletim de ocorrência, registrado às 21h05, a jovem relatou que estava filmando a movimentação da avó quando um físico médico, profissional que atua na área de planejamento e segurança de tratamentos com radiação, teria se aproximado por trás e passado a mão em seu seio e nas nádegas.
Em depoimento, a estudante contou que ficou em choque após o episódio e entrou em uma cabine da unidade, onde começou a chorar e telefonou para o noivo. Técnicas de enfermagem perceberam seu estado emocional. De acordo com a vítima, uma das profissionais desconfiou que havia acontecido algo e mostrou uma fotografia do funcionário, que ela reconheceu como o homem que teria feito os toques.
A jovem afirmou ainda que, naquele momento, tentou esconder o que havia acontecido para não deixar a avó nervosa. O episódio, segundo ela, provocou forte abalo emocional e sensação de culpa e vergonha.
Após serem acionados, policiais conduziram a vítima, o investigado e testemunhas à Delegacia da Mulher de Santo Amaro. Segundo o relato da estudante, a polícia demorou mais de duas horas e meia para chegar ao hospital.
A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar a denúncia. O homem foi levado à delegacia, mas não foi preso nem autuado em flagrante.
A advogada Graça Pragana, que acompanha a vítima, afirmou que pediu a preservação e análise das imagens das câmeras de segurança do hospital. A defesa também solicitou a prisão em flagrante, mas, segundo a advogada, o pedido foi negado porque as testemunhas apresentadas não haviam presenciado diretamente o momento em que o suposto crime ocorreu.
A família da estudante também questionou a ausência de prisão e demonstrou preocupação com a possibilidade de as imagens de segurança serem perdidas. A mãe da jovem disse que a filha precisou receber atendimento médico depois do episódio e apresentou uma crise nervosa, sendo medicada.
Em nota, a Polícia Civil informou que as diligências foram iniciadas imediatamente pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, com as primeiras oitivas e a solicitação das imagens das câmeras de segurança, além de outras medidas necessárias para a investigação.
O Hospital Universitário Oswaldo Cruz, que é vinculado à Universidade de Pernambuco (UPE), informou que o profissional envolvido não é funcionário direto da unidade, mas integra uma empresa terceirizada responsável pela prestação de serviços ao hospital.
Segundo a instituição, a estudante e seus familiares foram acolhidos após o episódio e as providências administrativas cabíveis foram adotadas. Nesta quarta-feira (7), o hospital informou ter notificado formalmente a empresa contratada e solicitado o afastamento imediato e a substituição do profissional, enquanto os fatos são apurados pelas autoridades.












