
Ismael Alves – Enquanto muita indefinição marca o cenário político de Pernambuco, o que deve afunilar na medida em que a janela partidária se aproxima do fim, um elemento já está sacramentado: Eduardo da Fonte é a primeira grande dissidência do governo Raquel Lyra.
O deputado federal e presidente do PP no Estado passou a ter seu nome no centro de rumores que apontam para uma possível aliança com João Campos, que concorrerá ao governo estadual pelo PSB. As cogitações ganharam força nos últimos dias, e um sinal público deixou evidente que, mais uma vez, prevaleceu a velha máxima: onde há fumaça, há fogo.
A filiação da deputada Gleide Ângelo ao PP acendeu a luz de alerta no Palácio, que já monitorava as insatisfações de Eduardo da Fonte e sua pretensão de concorrer a uma vaga no Senado. No entanto, a governadora decidiu se antecipar e surpreender o parlamentar ao exonerar, nesta terça-feira (17), pessoas ligadas diretamente a ele que ocupavam espaços estratégicos na gestão.
Entre as principais baixas sofridas pelo grupo de Eduardo da Fonte na máquina estadual, destacam-se as saídas de Bruno Rodrigues, que presidia a Ceasa; Plínio Pimentel, que estava à frente do Lafepe; e Paulo Nery, que comandava o Porto do Recife. As mudanças indicam que a governadora não pretende mais terceirizar o controle de órgãos com alta capilaridade e recursos para quem já flerta com o palanque adversário.
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Eduardo da Fonte reagiu negando qualquer acordo com João Campos. Contudo, além de perder espaço no governo, o deputado viu o Palácio desfalcar a federação União Progressista, que une o PP e o União Brasil. Raquel filiou sete deputados de sua base ao PSD, partido que até então não possuía representatividade na Alepe. Desse grupo, Antônio Moraes deixou o PP, enquanto Romero Sales Filho e Socorro Pimentel saíram do União Brasil.
O movimento também fragiliza Miguel Coelho, que lidera o UB em Pernambuco. A saída desses parlamentares indica que o ex-prefeito de Petrolina pode estar sendo forçado a um posicionamento definitivo, visto que ainda se mantém publicamente em cima do muro entre o Palácio e a Frente Popular.
Exonerações marcam ruptura e mudam o jogo político em Pernambuco
Se Raquel se antecipou ao que estava prestes a ocorrer, há também um sinal de alerta implícito nessa movimentação. Embora Eduardo tenha negado o acordo com João, a falta de entusiasmo do líder do PP desperta curiosidade e gera insegurança em outros setores da base governista.
Eduardo teve espaço relevante na gestão, mas abriu diálogo com o prefeito do Recife, o que dificilmente faria se tivesse convicção de que o governo atual estivesse confortável para a reeleição. Nos últimos dias circulou a informação de que o deputado supostamente teria afirmado, em reunião interna, que a governadora será derrotada, decidindo desembarcar antes que o barco afundasse.
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