
Violência em Pernambuco ultrapassa o sagrado e revela um estado sem refúgio
Ismael Alves – Ao decorrer da semana, o retrato da violência desenfreada em Pernambuco foi pintado a sangue, mais uma vez, representando a vida real, aquela que os filtros do Instagram no perfil do Governo do Estado não conseguem sustentar.
Entre as mortes violentas registradas, além dos já corriqueiros casos de feminicídio e tantas outras tipificações, um crime dentro de um templo evangélico revelou a escalada do crime. O altar da Igreja Assembleia de Deus Casa de Oração Ebenézer, localizada na Rua Atalaia, em Barra de Jangada, Jaboatão dos Guararapes, foi banhado pelo sangue de Alexsandro Ferreira da Silva, de 34 anos.
Ele era diácono e foi morto a tiros no meio de um culto. No local, ao lado do púlpito com o nome de Jesus, o registro do seu corpo estendido, sem vida, ainda trajando as vestimentas típicas de membros ministeriais. O crime aconteceu na quarta-feira (19).
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a motivação, ainda desconhecida. As circunstâncias do crime violam, além da vida, o caráter sagrado de um espaço que deveria oferecer proteção, refúgio, fé e segurança.
A Constituição prevê que os templos e o direito ao culto religioso, seja a crença que for, é inviolável. Quando se presencia um crime dessa natureza, nas condições em que ocorreu, fica evidente por que Pernambuco figura entre os estados mais violentos do Brasil.












