
Ismael Alves – Desde o início do terceiro mandato do presidente Lula (PT), a figura de Rosângela da Silva, a Janja, tem sido um foco de polêmicas das mais diversas. A primeira-dama, que emergiu como uma personagem ativa na campanha eleitoral, vem se destacando por declarações e atitudes que têm causado desconfortos e ruídos desnecessários na esfera pública.
Um histórico de controvérsias
Ainda nos primeiros dias de governo do presidente Lula, Janja atraiu críticas de parte majoritária da população ao adotar a expressão “todes” em seu discurso durante solenidade de posse do então ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida. A utilização da chamada linguagem neutra gerou repercussões negativas por ir contra a norma culta da língua portuguesa, que já possui uma flexibilidade natural em termos de gênero. A fala de Janja soou como um aceno a pautas identitárias que polarizam a sociedade.
Nos últimos dias as atitudes de Janja voltaram a chamar a atenção. Durante uma solenidade do G-20, ela teria dirigido palavras ofensivas ao bilionário Elon Musk, mandando-o “se fod*r” e afirmando não ter medo dele. O tom da declaração causou desconforto no próprio governo, ganhando repercussão na imprensa internacional.
Outro momento que gerou críticas foi sua atitude em relação a um caso de suicídio ocorrido em Brasília. Referindo-se à vítima como “bestão”, Janja desconsiderou o quadro depressivo que levou o homem ao ato extremo na Praça dos Três Poderes, morrendo em decorrência da explosão proposital de fogos de artifício. O comentário, visto como insensível, foi amplamente criticado por especialistas em saúde mental e pela opinião pública, que esperava mais empatia de alguém em posição de destaque. Para Janja, o posicionamento político do homem, que era bolsonarista, foi razão o suficiente para levá-la a desdenhar da sua morte.
Antes, Janja já havia disparado um “dane-se” ao ser questionada pelas participações em agendas de Lula, inclusive em viagens internacionais. Ela chegou a afirmar que estaria sempre presente e que é responsável por conquistar tal espaço.
O papel de uma primeira-dama
O papel da primeira-dama no Brasil não é oficial ou eletivo, mas historicamente tem sido associado a ações sociais e de representatividade. Janja, contudo, tem optado por uma postura mais política, que, embora não seja inédita, vem acompanhada de declarações que geram divisões e contradições.
O que Janja precisa aprender
A posição de primeira-dama exige equilíbrio, responsabilidade e, acima de tudo, sensibilidade. Quando não puder ajudar, Janja deveria, no mínimo, evitar criar ruídos desnecessários. É legítimo que uma primeira-dama tenha personalidade e engajamento, mas é essencial que isso seja feito de forma a engrandecer a imagem do país e contribuir para o bem-estar coletivo.
A questão é simples: ou Janja ajusta seu tom e entende as implicações de suas palavras e atitudes, ou continuará sendo um “furacão” que, ao invés de construir pontes, gera ventos de desavenças e vergonha alheia.











