
Ismael Alves – O mercado financeiro brasileiro reagiu de forma positiva ao resultado do primeiro turno das eleições gerais de 2026. No primeiro pregão após a votação, realizado nesta segunda-feira (5), o Ibovespa disparou 7,70%, aos 206.911,89 pontos, renovando a máxima histórica e registrando a maior alta desde março de 2020.
A reação também apareceu no câmbio. O dólar comercial caiu 4,12% e encerrou o dia cotado a R$ 5,0022, depois de ter sido negociado abaixo de R$ 5 durante a sessão. A valorização do real ocorreu mesmo com o dólar avançando diante de outras moedas no mercado internacional.
O movimento foi interpretado por analistas como uma resposta dos investidores ao desenho político produzido pelas urnas. A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, somada ao avanço de forças de direita e centro-direita no Congresso, aumentou entre investidores a expectativa de uma agenda econômica mais voltada ao controle das despesas públicas, reformas e maior participação do setor privado.
Bolsa sobe, juros recuam e investidores reavaliam cenário econômico
Além da Bolsa e do dólar, os juros futuros também apresentaram forte queda. A taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2028 recuou de 13,509% para 12,665%, enquanto o contrato para janeiro de 2035 caiu de 14,131% para 12,8%. A movimentação indica uma redução do prêmio de risco exigido pelos investidores diante do novo cenário político.
Entre as ações, bancos e empresas de varejo estiveram entre os principais destaques. O BTG Pactual avançou 22,52%, o Bradesco subiu 13,57%, o Banco do Brasil ganhou 11% e o Itaú Unibanco teve alta de 10,37%. No varejo, Magazine Luiza disparou 24,18%, enquanto C&A avançou 19,71%.
A Petrobras também acompanhou o movimento positivo, com alta de 8,19% nas ações preferenciais e de 6,68% nas ordinárias. A forte valorização das empresas brasileiras ocorreu em um ambiente de maior apetite por risco, com investidores projetando possíveis mudanças na condução econômica a partir de 2027.
O resultado, contudo, não significa que a economia brasileira tenha mudado de um dia para o outro. Indicadores como dívida pública, crescimento, inflação e resultado fiscal permanecem os mesmos. O que mudou foi a percepção dos investidores sobre o risco político e as perspectivas para a política econômica dos próximos anos.
A reação positiva também veio acompanhada de cautela. O segundo turno ainda será disputado em 25 de outubro, e analistas ressaltam que a incerteza eleitoral permanece. A continuidade da valorização dos ativos dependerá, entre outros fatores, da definição do próximo governo e de sua capacidade de construir apoio no Congresso para aprovar medidas de ajuste fiscal e reformas.












