
Ismael Alves – No primeiro bloco do debate que acontece neste momento entre os candidatos ao Governo de Pernambuco, no Teatro do Shopping Difusora, em Caruaru, promovido pela Rádio Cidade (99,7 Mhz), ao menos em duas ocasiões a governadora Raquel Lyra chamou a atenção ao direcionar críticas ao período em que o estado esteve sob a gestão do PSB.
Em outras ocasiões, Raquel Lyra vinha atribuindo problemas enfrentados por Pernambuco aos 16 anos de governos do PSB. Foi o que ocorreu, por exemplo, durante entrevista coletiva concedida em junho deste ano, quando, ao comentar o episódio de desabamento do forro do teto do Hospital da Restauração, a governadora relacionou os problemas da saúde pública estadual ao período de 16 anos de administrações do partido.
No debate desta sexta-feira (11), porém, diante de João Campos (PSB), Raquel Lyra reformulou o discurso e direcionou a crítica especificamente ao período em que Paulo Câmara esteve à frente do Governo de Pernambuco.
“Foram oito anos que Pernambuco andou para trás”, afirmou a governadora.
Embora não tenha citado nominalmente o ex-governador, a declaração faz referência aos oito anos da gestão de Paulo Câmara, que governou Pernambuco entre 2015 e 2022.
A mudança na formulação do discurso chama atenção também pelo contexto político do debate. Esta é a primeira vez que João Campos, Raquel Lyra e Ivan Moraes (PSOL) ficam frente a frente em um debate pelas eleições de 2026.
Além disso, Raquel Lyra teve uma trajetória política ligada ao próprio PSB. Ela foi deputada estadual pela legenda, enquanto seu pai, João Lyra Neto, foi vice-governador de Eduardo Campos e assumiu o Governo de Pernambuco em 2014, após a renúncia de Eduardo Campos para disputar a Presidência da República.
Nesse contexto, ao direcionar a crítica aos oito anos de gestão de Paulo Câmara, sem mencionar nominalmente o ex-governador, Raquel Lyra também ajusta seu discurso diante de João Campos, filho de Eduardo Campos e atual candidato do PSB ao Governo de Pernambuco.











