
Ismael Alves – Os quatro levantamentos de maior repercussão realizados recentemente em Pernambuco mostram uma disputa cada vez mais próxima entre Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) pelo Governo do Estado.
Embora os institutos apresentem números diferentes, há um aspecto comum nas rodadas mais recentes: Raquel Lyra permanece em um patamar elevado e relativamente estável, enquanto João Campos registra oscilações positivas nos levantamentos sucessivos, reduzindo a distância nominal entre os dois.
A comparação abaixo considera somente o cenário estimulado de primeiro turno, no qual os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados.
Datafolha: Raquel mantém 47% e João sobe para 42%
Divulgada em 11 de setembro, a pesquisa Datafolha, realizada entre os dias 8 e 10 de setembro, mostrou Raquel Lyra com 47% e João Campos com 42%.
Na rodada anterior do instituto, divulgada em 21 de agosto, Raquel também tinha 47%, enquanto João registrava 40%. Assim, dentro da série do Datafolha, Raquel permaneceu no mesmo patamar e João avançou dois pontos, fazendo a diferença entre os dois cair de sete para cinco pontos percentuais.
A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento ouviu 1.204 eleitores e está registrado no TSE sob o número PE-04411/2026.
Quaest: diferença cai de oito para seis pontos
A Quaest divulgou sua pesquisa em 8 de setembro, após entrevistas realizadas entre 4 e 7 de setembro.
No cenário estimulado, Raquel Lyra apareceu com 43% e João Campos com 37%. Na pesquisa anterior da Quaest, Raquel tinha 44% e João, 36%.
O movimento foi, portanto, de um ponto para baixo para Raquel e um ponto para cima para João, reduzindo a diferença nominal de oito para seis pontos.
A margem de erro é de três pontos percentuais, e o levantamento ouviu 1.302 eleitores. O registro no TSE é PE-00285/2026.
Múltipla: os dois sobem, mas João avança mais
A pesquisa Múltipla, divulgada em 15 de setembro, entrevistou 900 eleitores entre os dias 11 e 14 de setembro.
No cenário estimulado, Raquel Lyra aparece com 44% e João Campos com 39%.
Na pesquisa anterior do instituto, divulgada em agosto, Raquel tinha 43% e João, 37%. Houve, portanto, crescimento de um ponto para Raquel e de dois pontos para João, com redução de seis para cinco pontos na diferença nominal.
A margem de erro é de 3,3 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob o número PE-07035/2026.
Real Time Big Data: João aparece numericamente à frente
A pesquisa mais recente em termos de divulgação e também com um dos períodos de campo mais recentes é a do Real Time Big Data, publicada em 15 de setembro.
O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 10 e 14 de setembro. No cenário estimulado de primeiro turno, João Campos aparece com 44% e Raquel Lyra com 43%.
A diferença de um ponto está dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais. O levantamento está registrado no TSE sob o número PE-07953/2026.
O que aparece quando as quatro pesquisas são colocadas lado a lado
Os números absolutos variam entre os institutos, algo esperado em pesquisas eleitorais realizadas em momentos diferentes e com metodologias próprias. O ponto mais interessante está no comportamento dos números dentro das séries mais recentes.
Raquel aparece com 47% no Datafolha, 43% na Quaest, 44% no Múltipla e 43% no Real Time. Seu intervalo nos quatro levantamentos é, portanto, relativamente estreito: quatro pontos percentuais entre o maior e o menor resultado.
João, por sua vez, aparece com 42% no Datafolha, 37% na Quaest, 39% no Múltipla e 44% no Real Time. A variação é maior, de sete pontos, mas os levantamentos mais recentes registram uma presença de João em patamares superiores aos observados nas rodadas imediatamente anteriores de Datafolha, Quaest e Múltipla.
É justamente aí que aparece o principal sinal da fotografia atual: Raquel não apresenta, nessas quatro rodadas, um movimento contínuo de crescimento. Ela permanece em uma faixa relativamente estável. João, por outro lado, apresenta pequenas oscilações positivas nas séries comparáveis e chega ao levantamento do Real Time numericamente à frente, ainda que dentro da margem de erro.
Isso não significa que exista uma tendência estatisticamente comprovada de crescimento de João. As variações observadas nas séries individuais estão, em grande medida, dentro das respectivas margens de erro. O que existe é um padrão descritivo de aproximação, observado em mais de um instituto e culminando, no levantamento mais recente, em uma inversão da vantagem nominal.
A distância entre os dois também chama atenção
Considerando apenas os números estimulados das quatro pesquisas:
Datafolha: Raquel +5
Quaest: Raquel +6
Múltipla: Raquel +5
Real Time Big Data: João +1
Em outras palavras, a vantagem nominal de Raquel, que aparece nos três primeiros levantamentos, vai diminuindo até desaparecer no Real Time. Isso ocorre sem que Raquel tenha apresentado uma queda acentuada. O movimento decorre principalmente da combinação entre sua relativa estabilidade e a elevação dos percentuais de João nas pesquisas comparáveis.
Há, portanto, duas características simultâneas no cenário atual: Raquel permanece consolidada em uma faixa próxima dos 43% a 47%, enquanto João se aproxima desse mesmo intervalo.
Uma disputa que deixou de apresentar distância ampla
Os quatro levantamentos também ajudam a mostrar que não há, neste momento, uma distância nominal ampla entre os dois principais nomes da disputa.
Mesmo quando Raquel aparece à frente, as diferenças são de cinco ou seis pontos, dentro das margens consideradas nas respectivas pesquisas como situações de empate técnico. No Real Time, João aparece um ponto acima de Raquel.
A leitura mais cuidadosa dos dados, portanto, não é a de uma liderança consolidada de um dos dois, mas a de uma disputa em que Raquel mantém estabilidade e João apresenta sinais recentes de recuperação numérica, com o levantamento mais recente registrando os dois praticamente lado a lado. Essa interpretação descreve o comportamento observado nas pesquisas, mas não permite projetar, a partir delas isoladamente, o resultado futuro da eleição.
Em 15 de setembro, a fotografia conjunta das quatro pesquisas é de uma disputa muito mais próxima do que sugeriam algumas rodadas anteriores, com Raquel preservando seu patamar de intenção de voto e











