
Ismael Alves – A pré-campanha eleitoral deste ano já tem produzido diversos episódios de contradições protagonizados por figuras do tabuleiro político que buscam moldar o discurso conforme a conveniência eleitoral do momento. Um dos nomes desses movimentos camaleônicos é o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho.
Na última sexta-feira (20), Miguel participou da filiação de Anderson Luiz ao PSD, em Caruaru. No palco da “capital do Forró”, em ato com a presença da governadora Raquel Lyra (PSD), o ex-prefeito não poupou alfinetadas à chapa da Frente Popular, pré-definida com Humberto Costa e Marília Arraes para o senado, além de Carlos Costa para a vice.
O alvo da crítica foi a estreita ligação do grupo com o presidente Lula (PT). Com o objetivo de deixar uma imagem de autossuficiência geracional, Miguel disparou:
“Não é apenas uma parceria, é um chamado. É a nova geração se juntando para dizer que a gente não precisa de muleta, nem ficar escorado em palanque nacional. Esse time tem história, trabalho e serviço prestado para apresentar.”
Um passado recente e contraditório
No entanto, apesar da crítica ao “escoro” nacional, nem sempre Miguel viu essa relação como algo desnecessário. Pelo contrário: na medida em que disputava espaço por uma vaga pelo projeto encabeçado por João Campos (PSB), ele chegou a publicar em suas redes sociais uma foto ao lado de Lula no Carnaval deste ano.
Naquele momento, era conveniente colar a imagem ao petista. Vale lembrar que o ex-prefeito foi aliado de Jair Bolsonaro, enquanto seu pai, Fernando Bezerra Coelho, atuou como líder do governo Bolsonaro no Senado.
A Resposta de Teresa Leitão
A reação às falas de Miguel Coelho foi imediata. Partiu da senadora petista Teresa Leitão (PT), durante plenária regional do PT em Serra Talhada, no sábado (21). A parlamentar rebateu o que chamou de “atrevimento” e lançou indireta para relembrar a origem bolsonarista do ex-gestor.
“Chamou Lula de muleta? Isso é um atrevimento muito grande. E Lula é. Muleta no sentido do apoio”, afirmou a senadora, que utilizou uma metáfora pessoal para desarmar o ataque:
“Eu sei como uma muleta é importante, porque eu andei muito tempo de bengala, vocês sabem disso. Mas uma comparação dessas na política é coisa da baixa política. É coisa da ofensa rasteira. É coisa de quem não tem proposta. É coisa de quem sabe de que lado sempre esteve. E que fique lá.”










