
Ismael Alves – O ex-ministro do Turismo, Gilson Machado, sacramentou sua definição partidária para as eleições de 2026. Em ato realizado nesta quinta-feira (12), ele oficializou sua filiação ao Podemos, em solenidade que contou com o prestígio da cúpula nacional da legenda. A movimentação marca o início de um novo capítulo para o bolsonarista, que agora foca na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados.
Quem abriu as portas da sigla para o ex-ministro foi o presidente do Podemos em Pernambuco, Marcelo Gouveia. Ao atrair Gilson, Gouveia demonstrou uma visão que vai além da unidade ideológica, priorizando o fortalecimento da legenda. O acordo garantiu a Gilson “carta branca” para articular um bloco de direita dentro do partido, mesmo em uma estrutura que abriga quadros com posicionamentos divergentes.
O fator eleitoral e o peso das urnas
Para o Podemos, a chegada de Gilson Machado é lida como um ganho matemático estratégico. No cenário político, o que define a conquista de cadeiras legislativas é a soma de votos, e Gilson entra no jogo com o selo de “puxador”. O histórico recente justifica a aposta: em 2022, ao disputar o Senado, ele superou a marca expressiva de 1,3 milhão de votos em Pernambuco.
A mudança de planos, no entanto, foi forçada por bastidores intensos. Inicialmente, o desejo de Gilson era repetir a disputa pela Casa Alta, mas ele encontrou barreiras intransponíveis no PL de Pernambuco. A sigla, liderada por Anderson Ferreira, negou o espaço pleiteado, aprofundando uma crise interna que Gilson já travava com o clã Ferreira nos últimos anos.
Novos caminhos e a fidelidade ao bolsonarismo
Diante da negativa de legenda no PL, restou ao ex-ministro buscar alternativas que garantissem autonomia. No Podemos, Gilson inicia sua pré-campanha à Câmara Federal como uma das promessas de votação recorde no estado. A escolha pelo novo partido foi condicionada à liberdade de atuação, inclusive no que diz respeito ao apoio majoritário.
Mesmo fora do guarda-chuva oficial do PL, Gilson Machado reforça que seus ideais permanecem inalterados. O ex-ministro garantiu que continuará alinhado às bandeiras de Jair Bolsonaro e confirmou que a grande maioria do seu grupo apoiará Flávio Bolsonaro em 2026. Quanto ao cenário estadual, ele mantém o tom pragmático: se a direita não lançar candidato próprio ao Governo, a tendência é que o eleitorado conservador repita o movimento de 2022 em favor de Raquel Lyra.













