
Prefeito reage a ação da oposição após polêmica em concurso público
Ismael Alves – O prefeito do Recife, João Campos (PSB), reagiu com dureza ao pedido de impeachment apresentado por vereadores da oposição na Câmara Municipal. Para ele, a iniciativa não passa de “oportunismo político” em pleno ano eleitoral e tenta transformar uma controvérsia administrativa em palanque antecipado.
A declaração foi dada nesta quarta-feira (7), durante a inauguração da primeira etapa do Parque Alagável Campo do Sena, no bairro do Barro, Zona Oeste da capital. Até então, o prefeito vinha evitando se pronunciar publicamente sobre o tema.
Segundo João Campos, o avanço do seu nome nas pesquisas eleitorais tem provocado reações de adversários dispostos ao vale-tudo político. Ele afirmou que seguirá tratando o assunto com responsabilidade e respeito institucional, demonstrando confiança de que a Câmara dos Vereadores não endossará o que classificou como uma manobra eleitoral.
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O pedido de impeachment foi protocolado na segunda-feira (5) pelo vereador Eduardo Moura (Novo), um dos principais críticos da gestão socialista. No documento, o parlamentar sustenta que o prefeito teria cometido crime de responsabilidade e ato de improbidade administrativa, com base na Lei de Improbidade, no Decreto-Lei 201 e em dispositivos da Lei Orgânica do Recife.
Apesar de ter seu nome citado em levantamentos eleitorais para o Governo de Pernambuco, Eduardo Moura não oficializou pré-candidatura ao Executivo estadual. Nos bastidores, a avaliação predominante é de que ele deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
A crise política teve origem em uma decisão administrativa relacionada a um concurso público realizado em 2022. Em 23 de dezembro, a Prefeitura nomeou Lucas Vieira da Silva para o cargo de procurador municipal em vaga reservada a pessoas com deficiência, após a apresentação de um laudo de Transtorno do Espectro Autista emitido pela Justiça Federal do Trabalho.
O ponto polêmico é que o laudo foi apresentado dois anos após a realização do concurso. Na ocasião do certame, Lucas Vieira havia se inscrito para ampla concorrência e alcançado a 63ª colocação. Com a nomeação na cota PCD, ele ultrapassaria Marko Venício dos Santos Batista, classificado para a vaga destinada a pessoas com deficiência física.
A situação ganhou maior repercussão devido ao vínculo familiar de Lucas Vieira, filho de uma procuradora do Tribunal de Contas do Estado e de um juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco.
João Campos afirmou que o debate foi distorcido politicamente e destacou que a disputa administrativa envolve dois candidatos reconhecidamente com deficiência. Segundo ele, após o candidato que se sentiu prejudicado apresentar pedido de reconsideração, a Procuradoria do Município analisou o caso de forma imediata e reviu a decisão, devolvendo o tema ao debate judicial.
O prefeito também criticou o uso político da pauta das pessoas com deficiência. Disse tratar-se de uma causa que considera pessoal e sensível, mencionando sua convivência familiar com a deficiência como fator que reforça seu compromisso com o tema.
Agora, a definição sobre quem tem direito à vaga ficará a cargo do Judiciário, enquanto o pedido de impeachment segue sob análise na Câmara Municipal do Recife.







