
Ismael Alves – A Justiça da Itália decidiu nesta quinta-feira (28) manter a prisão da deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), detida em Roma desde junho, após sua condenação no Brasil por participação no ataque hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça. A decisão foi tomada pela Corte de Apelação de Roma, que considerou haver risco concreto de fuga, mesmo diante dos pedidos da defesa para substituição da prisão por medidas alternativas.
No entendimento da Justiça italiana, Zambelli entrou no país um dia após a condenação pelo Supremo Tribunal Federal, que lhe impôs pena de dez anos de reclusão. O histórico de declarações públicas contra o Judiciário brasileiro e relatos de que ela teria se escondido em Roma pesaram para a manutenção da medida.
Um laudo médico apresentado pela própria defesa foi avaliado pelas autoridades. O documento, de 19 páginas, reconhece que a parlamentar enfrenta problemas de saúde como síndrome de Ehlers-Danlos, distúrbios do sono e depressão. No entanto, a perícia concluiu que todas as condições clínicas são compatíveis com o tratamento dentro do presídio de Rebibbia, em Roma, onde ela permanece detida e sob acompanhamento médico.
O processo de extradição continua em análise e pode se arrastar por meses, já que depende de tramitação junto ao Ministério do Interior italiano. Enquanto isso, a defesa informou que recorrerá à Corte di Cassazione, a instância máxima da Justiça italiana, para tentar reverter a decisão.
Carla Zambelli foi condenada pelo STF em maio de 2025 por envolvimento no ataque hacker realizado em parceria com Walter Delgatti Neto. Após a sentença, deixou o Brasil rumo à Itália, onde possui cidadania, e teve seu nome incluído na lista da Interpol.












